O Rio de Janeiro vem perdendo há muito tempo. Já fomos capital da República e fomos devidamente substituídos por Brasília. Já fomos destino turístico e perdemos para o nordeste. Capital financeira – a primeira cidade a sediar a Bolsa de Valores – e, em 2000, perdemos posição para a Bovespa (em São Paulo). Mais recentemente, perdemos a Fórmula 1. É muita perda para a cidade Maravilhosa!
Entretanto, sou totalmente crente na “Teoria dos Ciclos”, de Schumpeter que apregoa que toda ascensão econômica de um Estado ou nação sempre chega ao seu apogeu e depois declina, quando outro Estado ou economia toma seu lugar.
Essa teoria pode ser notada quando Portugal e Espanha assumem no século XVI a liderança das nações da época para em seguida entrarem em declínio, dando espaço para outros ocuparem seu lugar. Dito isso, quero anunciar que chegou de novo a chance do Rio de Janeiro, com a Copa do Mundo de 2014 e os jogos Olímpicos de 2016. Com certeza, nós cariocas teremos que trabalhar em sete anos o equivalente a cinquenta, ou seja, teremos que repensar toda a cidade. E não me refiro somente à violência, mas também no que concerne à acomodação de atletas, seus respectivos técnicos, imprensa e demais autoridades.
O Rio de Janeiro hoje tem aproximadamente 28 mil leitos – mais 12 mil terão que ser construídos nos próximos anos. Diferentemente de outras cidades que no passado abrigaram eventos esportivos mundiais, o Rio de Janeiro não optou por apart-hotéis. Por essa razão espera-se que nos próximos sete anos mais de 20 hotéis sejam construídos, principalmente na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Zona Oeste. A prefeitura vem atuando junto às operadoras de cruzeiros marítimos já que essas operadoras conseguem suprir aproximadamente 4 mil leitos. Detalhe: não podemos nos esquecer dos leitos de hospitais!
Possivelmente, todo esse movimento não deve cessar após 2016. A construção civil, sim, terá seu maior crescimento até 2016. Entretanto, a geração de emprego no estado será contínua; estima-se que, entre os anos de 2009 e 2027, dois milhões de vagas de emprego serão criadas.
Portanto, vejo que o mercado de vidro nacional terá, sem dúvida, um crescimento enorme, crescimento esse puxado pelo mercado carioca de construção. Vejo ainda uma oportunidade ímpar para todos os envolvidos no setor vidreiro nacional: no Rio de Janeiro, somos muito carentes em relação a produtos de ponta e mão de obra qualificada.