Na busca de agregar maior valor ao vidro, muitos empresários do setor estão diversificando suas atividades, associando-se com caixilheiros ou montando sua própria unidade de produção de janelas e caixilhos de alumínio (vide a matéria da seção Destaque, nesta edição). Seria essa uma tendência para nosso setor?
A resposta é que não existe fórmula mágica e que cada empresário deve saber avaliar sua situação e os caminhos possíveis para seu negócio. Alguns fatos, entretanto, nos dão a pista de que existe essa possibilidade. Antonio B. Cardoso, gerente de Mercado Construção Civil da Alcoa Alumínio, diz que, em praticamente todo o mundo, incluindo em nossos vizinhos Argentina, Uruguai e Chile, o padrão é o profissional que faz a janela ou fachada colocar também o vidro. “Não se vê nesses países esse desmembramento que existe aqui no Brasil”, diz Cardoso.
É preciso estar atento, pois o caminho inverso também está ocorrendo e muitos caixilheiros estão entrando no segmento vidreiro ou associando-se com vidraceiros para oferecerem um produto completo ao consumidor final.
O universo da caixilharia não é fácil. É bastante amplo e exige, de quem se aventura por ele, bastante esforço, capacidade e dedicação. Por outro lado, o investimento inicial em máquinas e equipamentos é relativamente baixo, se comparado com os utilizados para o beneficiamento do vidro.
Para dar algumas dicas úteis sobre esse universo, estaremos abordando o tema Caixilharia Básica para Vidraceiros em uma série de reportagens. Iniciaremos fornecendo algumas dicas e critérios para avaliação do investimento em um módulo de serralheria.
Iniciando
A produção de alumínio destinado à
Construção civil é da ordem de 90.000 toneladas ao ano. Nessa quantidade inclui-se a produção de boxes para banheiros, janelas padronizadas, obras especiais e fachadas.
Cardoso explica que no setor de janelas e fachadas existem duas linhas de produtos a exclusiva e a convencional.
Os produtos da linha exclusiva incluem janelas com diversos níveis de sofisticação, que vão desde as voltadas para habitações populares até os painéis deslizantes dotados de vidros duplos, que garantem maior isolamento térmico e acústico, passando por guarda-corpos, painéis envidraçados com portas de correr ou de abrir, janelas com persianas projetantes e outros. É um nicho de mercado que exige alto investimento inicial e que sofre grande concorrência de empresas bem equipadas. A linha convencional é mais antiga, e artesanal, não requer grande investimento inicial e exige mão-de-obra especializada. É indicada para quem está iniciando, pois não sofre a concorrência das empresas altamente equipadas, como na linha exclusiva. A produção de caixilhos simples inclui-se nessa categoria de produtos.
Investimento e Retorno
A produção de um caixilho é composta pelas etapas de corte, usinagem e montagem. No final do processo vem a instalação, tema que será abordado com mais detalhes nas próximas edições.
Para quem está iniciando nesse segmento, Cardoso recomenda a montagem de um módulo com 400 metros quadrados.
O preço médio cobrado por metro quadrado de esquadria produzido é de R$ 200,00. A média de faturamento líquido sobre esse valor gira em torno de 10%, segundo explica Cardoso: “Quando se compara a possibilidade de faturamento com o investimento necessário, vemos que é um bom negócio, mas é claro que depende de outros fatores, como a eficiência na comercialização, o rompimento da concorrência e outros que ocorrem também no mercado do vidro”, diz.
O kit básico de uma serralheria é composto por:
Área de estoque dos perfis com cavaletes
Não precisa ser muito grande, pois o fornecimento é rápido por parte dos fabricantes de perfis de alumínio.
Uma furadeira
Essencial para diversos tipos de furação nos perfis.
Uma serra circular
Dela depende toda a produção. É recomendada a compra de uma máquina com serra grande para não limitar a produção de peças com perfis largos. No caso de ampliação do módulo, é recomendável adquirir-se duas serras para que a produtividade não seja interrompida por qualquer problema.
Um pantógrafo
A partir de moldes, o equipamento recorta uma ou mais faces dos perfis de alumínio, ajustando-o conforme o projeto. No caso de duplicação no tamanho do módulo não é necessário a compra de outro equipamento, pois está super-dimensionado para o módulo com 400 metros quadrados.
Uma entestadeira
Equipamento ajustável que permite a usinagem das extremidades dos perfis, permitindo que estas se encaixem com as faces de outras peças. No caso de ampliação, também não é necessária a compra de outro equipamento.
Uma bancada para montagemSeu tamanho depende do volume de serviços e do que se quer produzir.
Desenvolve diversas furações e recortes simultaneamente, trabalhando apenas com uma linha de perfil. Juntamente com tal equipamento, algumas empresas fornecem um software que coordena as várias etapas da produção.
Equipamento de usinagem:
Além desses equipamentos, que são universais e fornecidos por diversos produtores, incluindo a própria Alcoa e outros fornecedores de perfis de alumínio, existe o equipamento de usinagem, que serve aos que desejam entrar na linha de produtos exclusivos. Antes de se adquirir tal equipamento, entretanto, deve-se saber com que fornecedor irá trabalhar, pois cada um trabalha exclusivamente com uma linha de perfil de alumínio.
Geralmente os vidros são fixados nas esquadrias com gaxetas de borracha. Não é aconselhável a massa de vidraceiro, porque ela adere na hora de troca ou substituição do vidro e possui uma vida útil menor.
Responsabilidade
Antes de optar pela montagem de esquadrias é preciso saber que quem atua nesse segmento está subordinado a uma série de leis e decretos que implicam em responsabilidade civil e criminal para empresas que não seguirem as normas básicas quanto à segurança da fachada, estanquidade, resistência e durabilidade.
As normas para o setor de fachadas são bastante amplas e versam sobre o comportamento estrutural, quanto às pressões do vento, vedação à água e ao ar, esforços e, nas mais recentes, já estão normatizando a questão acústica.
A Associação dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal) e a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) são as entidades que cuidam da normatização desse segmento.
A qualidade dos produtos nesse segmento pode ser testada. Os testes podem ser feitos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no Instituto Falcão Bauer da Qualidade e na própria Afeal.
Treinamento
Cursos para caixilharia em alumínio são fornecidos pelo pela Alcoa Tubarão (SC) e pelo Senai em todo o Brasil.
A Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, localizada no Tatuapé, em São Paulo, por exemplo, tem vários cursos disponíveis na área de Serralharia em Alumínio. Antes de cursá-los, o interessado deve freqüentar o Curso de Tecnologia da Construção. O pré-requisito do candidato é ter 18 anos de idade.
Tecnologia da Construção tem a duração de 40 horas (cerca de uma a duas semanas), disponível no período diurno e aos sábados. Custa R$65,00.
Depois de terminado o curso de Tecnologia da Construção, o candidato pode se inscrever para o curso Serralharia de Alumínio, com a duração de 24 horas (cerca de uma semana), disponível aos sábados ou no período noturno. Custa R$50,00.
A seguir, o candidato também pode fazer os seguintes cursos de interesse do setor vidreiro:
Serralharia de Box de Banheiro - duração de 24 horas - R$75,00
Serralharia de Caixilho de Alumínio - 24 horas - R$90,00
Serralharia de Janela de Alumínio - 40 horas - R$150,00
Serralharia de Porta de Alumínio - 40 horas - R$140,00.
Para ter informações sobre centros do Senai em outros estados, o leitor pode ligar para o Senai on-line: 0800- 55 1000.