Rebolos diamantados e de polimento merecem atenção especial
Por questões históricas e culturais, as lapidadoras periféricas são as mais utilizadas pelas vidraçarias nacionais. Sua produtividade, no entanto, depende de certos cuidados e conhecimentos técnicos por parte do operador. A conservação dos rebolos diamantados, utilizados nesse equipamento, é um fator importante para uma maior lucratividade.
Vilson Knust, diretor técnico da Diamanfer, explica que a ferramenta diamantada (ou rebolo) é superabrasiva. Por causa disso, exige alguns cuidados técnicos, como excentricidade e refrigeração perfeitas. Se o operador não tiver os devidos cuidados, encarando os rebolos como verdadeiras jóias, estes podem consumir-se em até um quarto de tempo de sua vida útil.
Abaixo descrevemos algumas etapas que devem ser seguidas pelos operadores que querem obter um bom rendimento das lapidadoras periféricas e um bom aproveitamento dos rebolos diamantados.
As fotos foram feitas na Vidraçaria Miragem, em uma máquina lapidadora Glasmech de quatro rebolos, comercializada pela Gusmão Representações.
Os rebolos mostrados nas fotos são do tipo filetado 4 a 12 - segunda posição e a demonstração visual foi feita por Vilson.
1. Especificação correta das ferramentas
O primeiro cuidado na operação da lapidadora periférica é especificar corretamente os rebolos que serão utilizados.
O procedimento ideal é solicitar a visita do fabricante dos rebolos para mostrar o tipo de trabalho que será feito e os tipos de vidros que serão lapidados.
Se a empresa fabricante estiver localizada em outro Estado, a solução pode ser enviar amostras do trabalho que pretende realizar, para que o fabricante indique a ferramenta com granulometria adequada e a velocidade de avanço em que a máquina deve estar regulada.
Uma ferramenta mal especificada implica, muitas vezes, em desgaste prematuro. “Se pessoa pede rebolo de grana superfina e vai trabalhar com acabamento que não necessita dessa ferramenta especial, além de pagar mais caro por ela, terá de diminuir o avanço da máquina, reduzindo a velocidade de produção desnecessariamente”, exemplifica Vilson.
Outra recomendação dos fabricantes de rebolos é avaliar-se o custo-benefício de uma ferramenta diamantada, ou seja, não comprar uma ferramenta somente porque ela é mais barata. O cálculo que deve decidir pela compra é qual o custo por metro de vidro lapidado.
Uma dica é procurar grandes beneficiadores do vidro que costumam registrar horas de utilização de rebolos e orientar-se sobre as marcas que oferecem maior rendimento.
2. Instalação e regulagem da ferramenta no equipamento
Os rebolos são ferramentas produzidas com precisão milimétrica. Em algumas vidraçarias o operador não os encara dessa forma, estocando o produto de qualquer maneira, permitindo que ele se choque contra outras superfícies ou deixando eles trabalharem sujos. Com tudo isso, a precisão buscada pelos fabricantes é perdida e o rebolo passa a martelar o vidro ou a se desgastar rapidamente.
A ferramenta vem de fábrica com uma camada de graxa, que serve como proteção contra a ferrugem e a oxidação. A primeira atitude do operador, antes de instalá-la na lapidadora, é passar um pano limpo, ou flanela, para remover essa camada e a sujeira nela acumulada.
As flanges onde os rebolos serão instalados também precisam estar limpas, pois não é exagero afirmar que a espessura de um fio de cabelo pode prejudicar o rendimento.
Não se deve utilizar lixas para a limpeza dos rebolos ou das flanges, pois estas podem danificar o eixo central do rebolo.
3. Cuidados com a refrigeração
Uma conscientização que o operador precisa ter é a necessidade de perfeita refrigeração.
Os catálogos dos fabricantes das lapidadoras periféricas geralmente trazem orientações importantes sobre esse tema.
A refrigeração com água precisa ocorrer um pouco antes do atrito do rebolo com o vidro.
O caso mais comum, de problemas, acontece pela obstrução dos canos de refrigeração com pó de vidro, que reduz a quantidade de água necessária.
Essa obstrução geralmente ocorre nas curvas do cano, onde é possível o pó assentar-se quando a máquina não está funcionando. Mensalmente, é preciso fazer-se uma limpeza nos canos de refrigeração. Eles devem ser removidos e limpos com um bico de ar ou uma vareta.
4. Substituição e manutenção
Diversos fatores podem fazer com que os rebolos percam seu poder de desbaste.
Se o operador tem de passar duas vezes o vidro, para obter a lapidação adequada, há indícios de que existe alguma coisa errada com a ferramenta diamantada.
Periodicamente é importante forçar com as duas mãos o eixo onde estão instalados os rebolos, para verificar se existe alguma folga. Se existir, é preciso verificar se ela se localiza na instalação do rebolo ou é produzida pelo desgaste de um rolamento. Se esse for o caso, é importante providenciar, imediatamente, sua substituição.
A regulagem e a centragem correta da máquina é muito importante e deve ser feita sempre que se muda a espessura do vidro a ser lapidado. Essa atitude básica evita a deformação no rebolo, o vidro lascado e outros problemas.
Pedra abrasiva
Em alguns casos, mesmo com uma boa refrigeração e com a máquina corretamente regulada, ocorre uma queda na tensão elétrica. Isso pode provocar uma falha na bomba de refrigeração. Em outros casos, ocorre uma bolha de ar no cano da refrigeração.
O operador então verifica um aumento na marcação do amperímetro e, quando retira o rebolo, constata que seu perfil ainda está perfeito, somente com alguns pontos queimados.
Para esses casos, existe uma pedra abrasiva, fornecida pela Abrasipa e outras, que retira aquela camada queimada e a ferramenta volta a cortar normalmente.
Para utilizá-la, é preciso manter o rebolo trabalhando, tomar muito cuidado para ficar a favor do sentido de giro e, sem encostar o dedo no rebolo, dar uma esfregada com a pedra no rebolo em movimento.
5. Manutenção preventiva
O operador precisa estar familiarizado com as lapidadoras periféricas, para perceber situações de anomalia. Abaixo do rebolo existe o mandril, a parte mecânica e a eletrônica, que precisam ser bem cuidadas.
Deve saber qual velocidade de avanço deve adotar para o acabamento que quer obter e saber centrar bem o rebolo, para depois dar a partida no equipamento bem regulado.
Deve lavar periodicamente a máquina, como foi citado na matéria anterior, e lubrificar adequadamente o equipamento, conforme orienta seu manual.
Uma recomendação é que retire periodicamente os rebolos, limpe todas as flanges e tenha o cuidado de deixar uma camada fina de graxa para proteção da ferramenta. Para isso deve passar graxa e tirar o excesso com um pano.
Vida útil e retificação
Teoricamente, todos os rebolos precisam ser retificados uma vez. Se o mesmo rebolo é utilizado além do momento de se efetuar sua retífica, pode ter seu perfil deformado e apresentar problemas de superaquecimento.
Em uma empresa onde é feito um bom trabalho de acompanhamento de metragem, uma boa manutenção de equipamento, uma boa especificação de produto, uma ferramenta diamantada trabalha de 6 a 8 mil metros de vidro antes da primeira retificação e, depois de retificada, trabalha outra vez essa metragem.
Muitos empresários vidreiros, por desconhecimento dessa retífica, utilizam o rebolo de uma vez, até o aço. Estes perdem rendimento e comprometem a qualidade do serviço executado.
Não são, porém, todos os rebolos do mercado que permitem a retificação. Alguns são produzidos para serem utilizados somente até o primeiro lance, chegando ao aço logo depois disso.
Alguns modelos de rebolos, mais sofisticados, devem ser retificados pelo sistema de eletroerosão, para que não seja desbastada demasiadamente sua camada diamantada.
6. Rebolos de Polimento
Da mesma forma que para os rebolos diamantados, a manutenção e conservação das lapidadoras é determinante para a vida útil dos rebolos de polimento em liga de borracha. Deve-se ter especial atenção com a refrigeração, pois os rebolos de polimento podem desgastar com rapidez se trabalharem com temperatura elevada. Para vidraçarias com trabalho intensivo, é recomendável a instalação de um tanque maior de água. Com esta medida simples, a água permanece mais fria e limpa, evitando a obstrução dos canos de refrigeração e, portanto, o desgaste prematuro dos rebolos e da própria máquina.
Outro aspecto importante a ser verificado é a correta especificação dos rebolos de polimento. Depois de definida a qualidade desejada para o acabamento da borda, é necessário consultar os fabricantes para se determinar a melhor combinação de rebolos. Daniel Leicand, diretor da Abrasipa, lembra que os rebolos de polimento periféricos são produzidos em série nas granulometrias que variam da malha #40 a #180
mesh. Porém, não é aconselhável, por exemplo, usar rebolo #180 após diamantado grosso, pois haverá maior desgaste do mesmo.
Para um melhor aproveitamento dos rebolos de polimento, é recomendado angular o rebolo em relação ao vidro aumentando a área de contato e evitando a formação de “abas” nos rebolos, que atrapalham o bom polimento das bordas dos vidros. Mesmo assim, se após algumas horas o rebolo estiver com uma canaleta profunda, pode-se lixar as abas laterais.