Tivemos, nos últimos anos, uma rápida evolução nos sistemas de montagem de fachadas. Mesmo que não pretenda trabalhar com esse tipo de produto, todo vidraceiro deve estar atento a essa evolução para saber para onde caminha esse mercado e como poderá influenciar no dia-a-dia de seu negócio futuramente.
Inicialmente tínhamos, exclusivamente, as Fachadas-Cortinas. Sua principal característica é possuir colunas de sustentação que ficam projetadas para fora do edifício. O sistema ainda é utilizado a pedido e gosto de alguns clientes.
Uma primeira evolução ocorreu com o surgimento das fachadas denominadas Pele-de-Vidro, na qual as colunas de sustentação ficam voltadas para dentro da obra. O vidro - por esse sistema - é sustentado por um pequeno perfil de alumínio que o emoldura. Dessa forma, o vidro, que é fixado com borrachas de EPDM, ficou mais aparente.
Com o Citibank, na Avenida Paulista, em São Paulo, foi inaugurada a era do Sistema Estrutural Glazing. Tal sistema utiliza a mesma técnica da fachada Pele de Vidro, com colunas do lado interno. A evolução está no fato de a fixação do vidro no alumínio ser feita através de silicones chamados estruturais. São produtos químicos especiais que passam por um acompanhamento dos fabricantes, que ganharam uma enorme responsabilidade técnica na obra.
No sistema Glazing, a plástica externa fica composta somente com o vidro, enquanto o alumínio fica embutido, exercendo sua função de sustentação. Com a grande variedade de cores e beleza dos vidros laminados que surgiram, as fachadas ganharam com essa técnica muita beleza de design arrojado.
Outras novidades em fachadas estão surgindo no Brasil, incorporadas ao sistema Glazing. Os vidros duplos ou insulados podem ser aplicados facilmente por esse sistema, permitindo ainda a utilização de micropersianas entre as lâminas. Já foi instalada, em Belo Horizonte, uma fachada de edifício que utiliza vidro autolimpante, que possui uma película de aplicação na face externa, que não retém poeira. Brevemente deveremos também assistir à chegada das fachadas ventiladas e das fotovoltaicas, que já começam a ser utilizadas na Europa e sobre as quais abordaremos mais atentamente em uma próxima edição.
Espaço para os vidraceiros
Atualmente temos os grandes fabricantes de esquadrias executando as principais fachadas do País. As empresas de vidro, em alguns casos, fornece o vidro, mas é importante destacar que, no moderno sistema construtivo, o vidro já chega à obra aplicado a um sistema de guarnição, ou engaxetado com borrachas de EPDM, ou colado pelo Sistema Glazing.
O processo de fixação do vidro no caixilho pode ser executado dentro do canteiro de obra somente em algumas ocasiões especiais. O processo mais comum e adequado é que se faça isso dentro de uma unidade de produção que esteja limpa, preparada e equipada para receber esse tipo de serviço.
Nessa indefinição de limites de atuações e atribuições, um primeiro passo para o vidraceiro garantir sua participação no mercado seria fornecer vidros já encaixilhados, com vidros engaxetados ou colados.
“Nas fachadas, as folhas de vidros que compõem vidro e alumínio já saem prontas, ou da serralheria ou da vidraçaria, para a obra”, afirma o gerente comercial da Belmetal, Carlos Almeida. “Hoje o fabricante de esquadrias de alumínio tem mais facilidade em incorporar o vidro no alumínio do que o vidraceiro de incorporar a fachada no vidro, exatamente pelo problema técnico de construção do produto”, completa.
Almeida argumenta que a fachada passa por um processo extremamente técnico no projeto, na fabricação e na instalação. “Diferentemente de uma janela, em que é possível concluir o processo dentro de uma serralheria, a fachada é feita para um vão total, passando por processos de aferição de prumada, conceitos técnicos de acabamento e outros”, diz.
No futuro, a tendência de mercado, segundo Almeida, é que cada segmento se complemente nos serviços; por isso vê com bons olhos o crescimento da participação de empresários vidreiros no segmento de esquadrias de alumínio. “Para o segmento do vidro, as fachadas, principalmente as fachadas-cortinas, glazing e vidro duplo, devem ser realmente um filão interessante, como já é para os serralheiros fabricantes de esquadrias”, diz. “Acredito que nós, num compromisso de orientação, de visão de crescimento das fachadas, podemos passar experiências e orientações básicas e fundamentais para esse tipo de produto”, completa, acrescentando que a Belmetal já está empenhada em oferecer apoio técnico e treinamento ao setor vidreiro, tanto na fabricação quanto na instalação do produto. O gerente comercial cita que algumas empresas já estão entrando nesse segmento de fachadas e se dando bem, integrando o vidro ao alumínio. Ele cita, como exemplos, a Vidraçaria Paris, a Engevidros, a Contempera, a Kanon e outras.
Responsabilidade
Que ninguém pense que fachada é um produto fácil de se fazer. “Ele pode ser até fácil de se fabricar dentro de um canteiro de trabalho, mas, no conjunto, ele é bastante complexo”, argumenta Almeida, acrescentando que todas as obras, independentemente do porte, passam pelo cuidado e pela responsabilidade do produtor, seja ela a fachada de uma loja, de um banco ou de um edifício com 20 andares.
Fachada é um item extremamente sério. Ela passa ser a parede da obra. Com isso, seu projeto precisa prever resistências mecânicas, recursos acústicos e térmicos e toda a plástica visual do local.
Para se dimensionar o grau de responsabilidade envolvido na montagem correta de uma fachada, basta imaginar, como caso extremo, o que poderia ocasionar o despencar de uma folha, com 100 ou 150 quilos, de um décimo andar.
Devido aos riscos envolvidos, é preciso que qualquer empresa que deseje entrar no segmento de fachadas tenha uma estrutura suficiente, para contar com profissionais capacitados e especializados em cada uma das três áreas envolvidas: projeto, produção e montagem. Além disso, a empresa precisa ter capital para poder investir nas máquinas e equipamentos adequados.
Projeto
Todo o projeto de fachada tem de ser previamente estudado. Não pode ser criado de última hora, porque senão compromete o projeto inteiro.
O Brasil é muito extenso e possui diversas regiões climáticas. Cada uma dessas regiões é mais ou menos provida de ventos, que é um item extremamente diferenciador na aplicação da fachada. O conceito da especificação adequado é feito em função da carga de vento.
Por esse item começa o estudo da fachada, passando para a análise se ele está em região marítima, se em região urbana, quantos pavimentos terá e vários outros itens que são investigados para que se eleja o produto certo, adequado, e para que o edifício ganhe em plasticidade.
No projeto também é preciso ter em mente que todo edifício dilata-se. Nenhum projeto de fachada pode ser engessado, ou seja, a estrutura inteira tem de estar preparada para se movimentar. Também deve-se atentar para o apelo acústico, para o apelo térmico, para o tamanho dos vidros e outros itens importantes.
Produção e montagem
O processo de produção do caixilho tem um compromisso muito sério com a qualidade dos acessórios e componentes. A escolha dos produtos adequados vai desde os parafusos, que precisam ter propriedades mecânicas e acabamento em inox, às borrachas em EPDM ou guarnições em silicone - tudo isso compõe o produto chamado fachada.
Na montagem é preciso instalar corretamente todas as colunas de sustentação, prumá-las adequadamente e calcular corretamente as folgas, conforme especificado no projeto. “O projeto é único, quem instala as colunas deve instalar as folhas; assemelha-se à produção de um carro, que tem de sair pronto no seu conceito geral”, explica Almeida.