Histórico
Os primórdios da humanidade, muito antes do surgimento do papel e da própria escrita, o homem, nas suas constantes migrações, imprimia, nos umbrais das cavernas, toscos desenhos e impressões peculiares das regiões que durante algum tempo foi o seu hábitat.
A descoberta destes caracteres, estes toscos desenhos gravados na rocha, na linguagem geológica “gravuras ruprestes”, na verdade nos colocaram de frente para a trajetória da humanidade, e a elucidação destas gravuras ajudou a explicar a nossa própria constituição psico-física.
Portanto, a iniciativa de transcrever nossas impressões é de alguma maneira uma herança genética.
Projetos
Imaginemos a vida moderna sem os projetos urbanísticos, os traçados das rotas aéreas, marítimas, os limites geográficos, enfim, imagine que complicação comprar uma casa onde não existe projeto de hidráulica ou de elétrica, quantas dúvidas e riscos pode se estar correndo.
No produto final, seja uma casa, um eletrodoméstico, ou uma esquadria, as partes decisivas do funcionamento nem sempre estão a vista, e tampouco detectáveis a olhos leigos e na eventualidade de algum imprevisto, sem um projeto executivo do fabricante, mesmo técnicos experimentados tateiam no escuro, sem eufemismo.
Geralmente não conferimos muita importância a projetos, e diversos são os jargões justificativos; o papel aceita tudo, conheço este produto de longa data, veja os testes por que passou, e assim vai... Mas, na prática as estatísticas demonstram que não é esse mar de tranqüilidade, acidentes, manutenções intermináveis, prejuízos, fazem parte de um cenário indesejável para qualquer segmento.
Importância
Especificamente no segmento de esquadrias, o projeto assume importância ainda mais relevante, alheio ao fato de não ter força de cátedra nas universidades - embora o seu comportamento seja ministrado na cadeiras de Conforto Térmico e de Acústica no curso de Arquitetura.
Na Alemanha por exemplo, a Berufs Akademie de Mosbach formou, em 1998, a primeira turma de Engenheiros de Caixilharia, resultado da integração entre Universidade, Indústria e Associação. De forma genérica, a esquadria no Brasil ainda é tida como um produto banal e que pode ser produzido e para qualquer ambiente, sem muitos pré-requisitos. Este estado de desconhecimento da esquadria como produto de engenharia conduz arquitetos e engenheiros a um labirinto de infindáveis vertentes e muitos equívocos. Em virtude deste desconhecimento, no momento da contratação, a esquadria é analisada por quilo ou m2 como o são produtos básicos: areia, brita, tijolo, cimento etc.
Figura1:
Básico
Mesmo nas esquadrias convencionais (Fig.01) deve prevalecer o projeto executivo orientando perfis e componentes, com indicação dos respectivos fabricantes. Nenhum produto é eterno; numa futura manutenção, fica mais fácil substituir o componente avariado. No caso das fachadas-cortinas, o projeto executivo é indispensável.
Proceder de forma compartilhada com o projeto arquitetônico é o caminho correto. As ações do projeto da fachada-cortina ocorrem a partir da qualidade desta inter-relação, cujos desdobramentos determinarão inicialmente que musculatura deverá ter esta fachada. Veja abaixo como isto sucede:
• Projeto Arquitetônico:
• Configuração, localização, orientação das fachadas
• Resultados no projeto da fachada-cortina: percepção da real velocidade dos ventos em m/s), determinação do valor de pressão (pascais ou Kg/m), atenuação acústica (decibeis), abatimento térmico (W/m.K)
• Projeto de estrutura :
• Resultados: distanciamento entre os arranques (L=cm/mts), quantificação dos arranques, cálculo da carga total sobre o módulo de ensaio (Q=p.Sm), escolha da coluna ideal respectivamente momento de inércia e módulo de resistência).
Em virtude da complexidade do ensaio completo do cálculo estrutural, para maior segurança nos resultados é necessário o uso de um software específico. Para tanto, um dos mais completos é o C-Mol de origem alemã e o mais usado na Europa.
Concluída a etapa do cálculo estrutural (vide parte IV da edição anterior), passamos à elaboração do projeto executivo com os perfis corretamente dimensionados. O projeto deve conter uma prancha para as elevações das fachadas com os cortes devidamente sinalizados, e as demais contendo os detalhes executivos em escala natural (fig.02). Todos os componentes devem estar claramente descritos e indicados seus fabricantes na legenda. Aspectos da fixação (fig.03), vedação (fig.04), isolamento contra materiais díspares, isolamento termo-acústico (fig.05), dilatação linear, drenagem pluvial (fig.06), como remover e recolocar um módulo sinistrado (fig.07), são detalhes de absoluta importância que determinam o desempenho da fachada-cortina. Vale ao contratante conhecê-los.
Além da função gráfica de antecipar a intenção construtiva de um determinado sistema, o projeto é o documento que contém o DNA do produto. É através dele que podemos analisar distintamente criador e criatura.
Figura 2, 3, 4, 5, 6 e 7:
Custa caro fornecer o projeto?
O risco que se corre numa obra sem projeto é incalculável! Encontram-se, no mercado, projetistas autônomos com bastante vivência no segmento de caixilharia, que prestam estes serviços de computação gráfica em ambiente de Auto-Cad ou Micro-Station.
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