Fachadas: a sutileza faz a diferença

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Tocantins e Alagoas são as capitais na mira de nossa série, que pretende visitar todo o Brasil e mostrar o que o vidro tem

Nesta série de reportagens que lhe levará às capitais deste país varonil, que tal se subirmos agora para as regiões Norte e Nordeste? Em cada cidade uma obra cujo vidro fez a diferença na construção. Na edição passada conhecemos um pouco mais sobre Curitiba, Paraná e sua obra inusitada – um teto retrátil para a cobertura de um edifício. Agora vamos ver como construções com fachadas tão diferentes entre si podem ter em comum um olhar mais sensível de quem a projeta. Embarquemos, então, numa viagem rumo a Tocantins e a Alagoas.

Entre selos e espelhos

Fachada sul e a avenida de Palmas
Em tempos de e-mail, postar cartas nunca foi tão in. Um prédio totalmente futurista com fachadas envidraçadas em nada lembra aquelas antigas sedes dos Correios com paredes amarelas pintadas à mão. É a sede regional da Empresa Brasileira de Correios de Palmas, Tocantis que já se tornou referência visual na cidade por conta de sua qualidade arquitetônica.
O trabalho do arquiteto Domingos Tadeu Domingues Baptista está localizado no principal eixo viário de Palmas, a Avenida Theotônio Segurado. Com uma área construída de 4,8 mil metros quadrados, a obra foi orçada em R$ 6,8 milhões.

A construção dispõe de três andares, um subsolo e dois pavimentos, e abriga além Fachada leste e o céu da cidadeda diretoria regional, a agência central dos Correios de Palmas. “É um edifício inteligente, com sistema automático de controle de refrigeração, sonorização, eletricidade, iluminação e de movimento das portas, além de sensores de alarme e de detecção de incêndio”, explica o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) de Palmas, Francisco O. M. Amaral.
O envidraçamento do prédio possui características especiais por conta de seus diferentes ângulos. Enquanto a fachada sul reflete o movimento da avenida, a fachada leste revela o céu aberto e límpido de Palmas.
O sistema de climatização realiza a troca de ar do ambiente 12 vezes por hora, proporcionando conforto térmico e impedindo a proliferação de vírus. Os equipamentos de segurança postal, que inclui máquinas de raio X, semelhantes aos dos melhores aeroportos, detectam a presença de armas, entorpecentes e substâncias explosivas.

Sobre Palmas, Tocantins
palma-tocantinsA cidade de Palmas resulta da independência do norte do estado de Goiás, o que ocorreu graças à criação de Tocantins pela Constituição Federal de 1988. Oficialmente, Palmas celebra aniversário na data de 20 de maio de 1989, sendo a última cidade brasileira planejada do século 20.
O nome Palmas é uma homenagem à comarca de São João da Palma, sede do primeiro movimento separatista da região. A instalação definitiva da nova capital do Tocantins ocorreu em 1º de janeiro de 1990, quando os poderes constituídos foram transferidos da capital provisória, Miracema, para o plano diretor de Palmas.
O atual momento da cidade busca sua consolidação em diversos aspectos. Na esfera econômica, por exemplo, Palmas tem propiciando locais adequados à instalação de empresas de quaisquer setores.

Área: 2.218,9 Km2
População: 184.010 (estimativa IBGE, 2008)
Temperatura média anual: 26º C
Fuso horário: Brasília


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Nas ondas do mar

Edifício CalècheAs curvas do edifício Calèche localizado na orla marítima da capital alagoana, Maceió, lembram bem o movimento das águas do mar. A obra é de Mario Aloisio Melo, arquiteto que possui mais de 800 mil metros quadrados de projetos em seu currículo além de uma vasta lista de premiações. “Não me sinto influenciado por estilos, mas por soluções”, garante.
As transparências do vidro usado serviram para integrar o prédio à paisagem local, tanto no seu reflexo para quem o vê da rua, quanto para quem está nele e vislumbra o exterior. Sobre a forma do prédio, o próprio Mario Aloisio explica: “O Calèche inevitavelmente apropriou-se de curvas como ondas e o contorno da enseada da orla onde se situa, ao passo que as cores de seu revestimento externo inspiraram-se nas cores do mar de Pajuçara à sua frente”.
Pensando na acústica do ambiente interno, a fachada recebeu pele de vidro com esquadria de alumínio Cittá Due. Na construção foram empregados laminados reflecta float verde (4 mm + 4 mm) e float verde 4 mm e 6 mm, além de aramados. O tamanho das folhas de vidro chega a 1.200 mm X 1.800 mm. De resto, é só se pôr na varanda e abismar-se com a cor deslumbrante do mar da praia de Pajuçara.

Sobre Maceió, Alagoas

maceio-alagoasAlagoas é um dos nove estados da região Nordeste. Sua capital surgiu a partir de um povoado em um engenho de açúcar por volta de 1609. O nome Maceió vem da língua tupi “Maçayó” ou “Maçaio-k” que quer dizer “aquele que tapa o alagadiço”, certamente pela disposição geográfica em que se forma um lagoeiro no litoral em virtude das marés.
Foi também nessa época, século 17, que navios europeus aportaram na enseada de Jaraguá com carregamentos de madeiras e mais tarde de açúcar. Maceió ainda guarda muito da vila do século passado: casarões antigos, ruas estreitas e tortuosas, o convívio amistoso de seus moradores que, em alguns bairros, ainda põem as cadeiras nas calçadas para um bate-papo à noite.
A praia de Pajuçara, onde se situa o edifício Calèche, é uma das mais famosas praias alagoanas. Da língua tupi, Pajuçara significa “terra de espinhos” ou “região de espinhos”. Os seus arrecifes de corais tornam a prática do banho tranqüila e segura, além de oferecerem uma beleza à parte com suas piscinas naturais.

Área: 511 Km2
População: 924.143 (estimativa IBGE, 2008)
Temperatura média anual: 25º C
Fuso horário: Brasília


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