Obra do arquiteto sênior Oscar Niemeyer encontra no vidro a solução para um desenvolvimento sustentável
De nome pomposo – Estação Ciências, Cultura e Artes – a obra do arquiteto Oscar Niemeyer na capital paraibana faz jus ao título. E é por isso que ela participa nesta edição do especial “Obras Arquitetônicas”, onde iremos passear por todo o Brasil pegando carona nas construções ora ousadas ora simples, mas que têm em comum o vidro e a sua correta aplicação. Em edições anteriores, mostramos empreendimentos no Paraná e, mais recentemente, em Tocantins e em Alagoas – momento em que se apresentaram fachadas.
Anunciada aqui na revista Tecnologia & Vidro, há um ano, a conclusão da obra de Niemeyer na cidade de João Pessoa ficou um deslumbre aos olhos. Também, o que esperar de um profissional que tem mais de sete décadas de experiência em transformar riscos tortuosos em verdadeiras obras-primas da arquitetura e da engenharia? A exemplo das colunas do Palácio da Alvorada e das cúpulas côncava e convexa do Congresso Nacional, Niemeyer molda a seu estilo de curvas e formas progressistas espaços preciosos para o desfrute público. Com seus 101 anos de idade, ele prova que relaxados jogos de dominó e baralho são opção e não obrigação para quem chega à chamada terceira idade. E mais, prova que não perdeu a mão.
Obra de ponta

A inspiração de Estação Ciências, Cultura e Artes veio de museus de Ciências do mundo todo, inclusive o da USP. Aliás, esta também é proposta do espaço, difundir e popularizar a Ciência, assim como a cultura e as artes e promover o turismo – a construção está situada na Ponta do Seixas, extremo oriental do Brasil e da América continental.O complexo arquitetônico ocupa um terreno de 36.720 metros quadrados dedicados tais finalidades.
Em todo o espaço, foram usados aproximadamente 1.400 metros quadrados de vidros; só a fachada deve pesar cerca de 8.900 quilos. Composta por cinco edificações, o complexo arquitetônico tem na torre mirante a principal delas. Trata-se de um terraço panorâmico com visão de 360 graus para a beleza do entorno, que tem vestígios de Mata Altântica e é considerada Zona Especial de Preservação, de acordo com o decreto municipal 5.363/2005.
Só a torre mirante, com três pavimentos e cercada por espelho d`água, possui 5.184 metros quadrados com 1.275 metros quadrados de pele de vidro. “Nela, foi aplicado o vidro de controle solar (Cool Lite), da Cebrace que tem como vantagem a redução da entrada de calor nas edificações, o que permite uma economia no consumo de energia”, informou em nota o assessor de imprensa da Pórtico Esquadrias – empresa responsável pelas caixilharias da obra –, Diego Mello. Ainda na fachada foram usados caixilhos da Linha Cittá e da Linha Gold.
O empreendimento já começa a fazer parte da cultura pessoense. Virou cartão-postal, ponto obrigatório para visitação de turistas, imagem no verso da carteira de estudante da população local e marco decisivo para a promoção da educação e o futuro tecnológico da cidade. Hoje, as atividades culturais fervilham no espaço e atendem às variadas camadas sociais.
Em seu memorial de descrição do projeto, Oscar Niemeyer colocou que a Estação Ciências, Cultura e Artes surge “da importante localização do terreno e da possibilidade de uma visão panorâmica sobre a beleza natural do seu entorno”. A julgar pelo resultado, ele prova que tinha razão.
Sobre João Pessoa, Paraíba
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Porta do Sol. Assim é conhecida João Pessoa, por estar situada na Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas. Fundada em 1585, João Pessoa já nasceu com status de cidade, não passando pela condição de vila. Hoje é a maior economia e arrecadação de impostos para o estado da Paraíba. O turismo é estimulado por suas praias e monumentos de arte barroca. |
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Área: 210,45 km2 |
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