Em 2008, o segmento de vidros planos faturou 8% mais que em 2007
A associação que representa os fabricantes nacionais de vidro, Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), lançou em abril seu tradicional anuário, com informações sobre o desempenho do setor no ano de 2008.
Os números do ano passado foram ótimos. O setor, que inclui vidros para embalagem, vidros domésticos, vidros técnicos e vidros planos faturou R$ 4,071 bilhões. Ou seja, 5,7% mais que o faturamento no ano de 2007.
O setor de vidros planos foi o que obteve maior crescimento no faturamento dentre todos os segmentos fabricantes. Faturou R$ 1,278 bilhões registrando 8% a mais que em 2007. Foi também o que mais gerou empregos. No final do ano contava com 1.800 funcionários, aumentando o quadro total em 20%.
A capacidade de produção de vidros planos também foi ampliada. Passou para 1.280.000.000 quilos por ano (aumento de 3,2%). Isto é, se a capacidade de produção fosse a quantidade produzida de fato (o que não ocorre na prática), e toda a produção fosse direcionada para o consumo dos brasileiros (sem nenhuma exportação), os quatro fabricantes de vidros float e impressos produziriam média de 16 quilos para cada brasileiro.
Em 2008, o setor de vidros planos foi também o que registrou maior quantia investida pelos fabricantes: US$ 230 milhões, que incluem as reformas e construções de novos fornos.
Embora os números expostos no anuário sejam animadores, os editoriais do mesmo anuário expressam preocupação com o futuro por conta da crise econômica mundial. O diretor da Nadir Figueiredo, Morvan Figueiredo de Paula e Silva, assim expressa o quadro atual: “2008 certamente foi um ano de altos e baixos. Ficaram para trás o dólar a R$ 1,59, o crescimento a 6% e uma perspectiva de um futuro céu azul. Nosso segmento cresceu 5,7% no faturamento, aumentamos os investimentos e os empregos. Para atender a demanda crescente, foram anunciados investimentos em duas novas fábricas de vidros planos, uma para 2009 e outra para 2010, cada uma com aporte de US$ 150 milhões; outros investimentos importantes foram anunciados em vidros domésticos e para embalagens”.
Segundo informação divulgada no anuário, o grande desafio da indústria para 2009 será reverter a explosão de custos verificada no gás natural e da matéria prima principal, que é a barrilha. Isso porque os fornos de vidro devem ficar ligados 24 horas por dia, independente do volume que produzam. Isso implica no uso intensivo de gás natural e coloca a indústria vidreira, ao lado da de cerâmica, entre as maiores consumidoras do combustível no país. Com um aumento de preço na faixa dos 50% ao longo de 2008, a conta de gás chega a consumir 30% dos custos do setor.
Com o aumento do custo, a Abividro manifesta a intenção de manter a competitividade frente à super oferta do mercado internacional onde a disputa será muito mais acirrada. Prevê ainda que a disputa no mercado interno será mais intensa por conta da superprodução internacional que tenderá a invadir o país.
O presidente da entidade, Laurent Sylvain Alain Guillot, por sua vez, manifesta em seu editorial que, apesar das dificuldades, as empresas fabricantes de vidro estão prontas para ressurgir junto com a economia brasileira. “Que certamente irá recobrar sua força e sua performance”, enfatiza.