Maior estatal do país, a Petrobras privilegia produto da Glaverbel e jornal cria polêmica.
A construção da nova filial administrativa da estatal brasileira em Vitória (ES) foi alvo de comentários na grande imprensa no mês de maio. O jornal O Estado de São Paulo publicou reportagem afirmando que a obra estaria gerando controvérsias entre o empresariado do vidro. Tudo porque a Petrobras, dispensada da Lei 8.666 de licitações, optou por comprar vidros especiais da Bélgica para revestir sua fachada.
A reportagem publicada pelo jornal, e reproduzida por diversos outros, afirmava que as fabricantes nacionais de vidro estariam enfrentando a Petrobras por não darem preferência aos fabricantes nacionais nessa concorrência.
Segundo o Roberto Wertzner, diretor de marketing da Cebrace, a reportagem publicada cometeu excessos do ponto de vista jornalístico. O que houve, segundo disse, foi um comentário feito, por parte de Lucien Belmonte, da Associação das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) manifestando sua perplexidade.
Procurado pela revista Tecnologia & Vidro, Wertzner comentou: “não houve nem por parte da Cebrace, nem da Guardian, um protesto formal à Petrobras ou mesmo à construtora (Odebrecht). Comentários surgiram em reunião interna na Abividro, quando comentávamos sobre a obra. O papel do Lucien (ou seja, da Abividro) é defender seus membros e logicamente seus interesses. Ele, em contato com o jornalista, expressou sua perplexidade pela escolha dos vidros importados quando a industria local seria perfeitamente capaz de suprir o demandado”.
Em andamento, a construção capixaba irá consumir aproximadamente mil metros quadrados de vidro, estimados em R$ 12 milhões. A Petrobras afirma que foi buscar o produto na Bélgica porque não encontrou na época um similar nacional.