Em tom de festa, Cebrace amplia seu mais antigo forno, o C1; empresa passa a produzir 2.700 ton/diárias de float. Para a construção do C5, cautela
O maior forno de vidro float das Américas está instalado no Brasil, mais precisamente em Jacareí, interior de São Paulo. Esta afirmação é verdadeira desde o dia 08 de outubro, quando a Cebrace inaugurou oficialmente a ampliação de seu forno C1, construído inicialmente em 1982. À ocasião, estavam presentes toda a diretoria executiva da Cebrace, autoridades de Jacareí, associações do setor vidreiro, entre outros convidados. A equipe da revista Tecnologia & Vidro foi conferir de perto este marco importante para o setor de vidros no país. Com este investimento, que lhe custou 60 milhões de euros, a Cebrace passa a produzir 2.700 toneladas diárias de float. Já para a construção de seu quinto forno chamado antecipadamente de C5, a joint-venture recomenda cautela.
“A empresa, confiando na recuperação do país e do mercado, não apenas reformou o C1, mas ampliou em 50% sua capacidade produtiva. Anunciamos o C5 no final do ano passado e ele continua em nossos planos, porém sua construção foi adiada para um momento mais propício, quando o mercado tiver condições de absorver as quantidades disponíveis”, disse à T&V o gerente de marketing da Cebrace, Roberto Wertzner.
Com sua ampliação, o C1 passa a ser um dos maiores e mais modernos fornos do mundo, cuja produtividade salta de 600 para 900 toneladas por dia. Toda essa produção é absorvida principalmente pelo mercado brasileiro; a Cebrace também exporta para países da América Latina, da África, da Europa e do Oriente.
Um dos desafios desta big reforma – para instalação de mudanças tecnológicas importantes – era não afetar a vida normal da fábrica em Jacareí. Para tanto, profissionais da China, Israel, Alemanha e França, juntos com brasileiros, trabalharam para o desenvolvimento e execução do projeto que resultou num forno sustentável – o C1 passa a reduzir em 15% o consumo de energia.
O forno foi aceso no dia 10 de setembro, numa cerimônia tradicional chamada “Alumette” (do francês, acendimento). Este processo leva cerca de trinta dias para chegar à temperatura ideal para o início de produção de vidros, que chega a aproximadamente 1.600 graus centígrados.
Para refletir
Apesar do eminente sucesso da Cebrace, considerando-se o número recorde de produção de 3 milhões e 300 mil toneladas de vidro fundido, só deste forno recém-ampliado em seus 17 anos de operação, ainda existe muito a ser conquistado em termos de mercado. Perguntado sobre o perfil do consumidor brasileiro de vidros, o gerente de marketing da Cebrace afirmou: “O brasileiro em geral desconhece o vidro enquanto seus atributos, valores agregados e propriedades diferenciadas”. E completou: “Segurança, beleza, colaboração na eficiência energética, entre outros, são atributos que a equipe de consultoria técnica da Cebrace leva aos mais diversos públicos, entre eles: vidraceiros, processadores, formadores de opinião, etc. Fazemos um trabalho importante na divulgação e multiplicação deste conhecimento com o intuito de não apenas desenvolver nossa presença e nossas vendas, mas de informar e fazer chegar ao público em geral os benefícios no uso do vidro”.
O forno C1
Investimento de 60 milhões de euros
Aumento de 50% em sua capacidade produtiva
Temperatura do forno chega a cerca de 1.600 graus centígrados
Redução de 15% no consumo de energia
Em seus 17 anos de funcionamento ininterruptos, o C1 produziu mais de 3 milhões e 300 mil toneladas de vidro fundido
Com a ampliação do C1, a capacidade total de produção da Cebrace é de 2.700 ton/dia em suas quatro plantas: C1 e C3 (Jacareí-SP), C2 (Caçapava-SP) e C4 (Barra Velha-SC).
Curiosidade
Um forno float funciona 24 horas por dia, ininterruptamente, em média 15 anos. Após esse período, passa por uma reforma que consiste na demolição do antigo e construção de um novo forno. Para garantir o abastecimento do mercado e a normalidade no dia a dia da fábrica, um projeto de reforma exige um planejamento rigoroso e audacioso que começa um ano e meio antes do início das obras e contempla muitos fatores, como logística de materiais importados (recebimento e armazenamento), remoção de entulho, gestão de pessoal, integração de equipe especializada de nacionalidades e culturas diversas, entre outros.
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