Abrasipa, 50 anos

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Empresa de abrasivos completa meio século com história intimamente ligada ao mercado do vidro

A figura calma e simpática de Alexandre Leicand surge no escritório e o filho, o diretor da Abrasipa Daniel Leicand, pede para que interrompamos a entrevista por um instante. “Esse aí é o fundador”, aponta Daniel, com uma grande carga de respeito na voz e no gestual. Dá um abraço carinhoso naquele senhor e pede para ele que o corrija “caso fale alguma bobagem”. Não precisa. Mesmo tendo começado na empresa apenas em 1986, Daniel já carrega em si toda a história dos imigrantes do leste europeu, cujas trajetórias se confundem com a própria industrialização de São Paulo e do Brasil.

 

Tecnologia & Vidro - Como essa história de 50 anos começou?
Daniel Leicand - A empresa é familar. Meu pai ainda trabalha aqui. A Abrasipa nasceu dentro de outra empresa, a Cardobrasil, que ficava na Lapa. Essa empresa trabalhava com produtos para a área têxtil e precisava de um produto específico: um disco de borracha. E esse disco ninguém fabricava no Brasil. Por anos, a Cardobrasil, teve muita dificuldade de importar esse produto. Então, em 1960, pesquisando um pouco na área eles resolveram tentar fabricar o disco aqui mesmo, nos fundos daquela indústria. E deu certo.
A década de 60 era uma época de desenvolvimento para o setor industrial no Brasil, que precisava de outros produtos também especiais e que também não eram achados no mercado nacional. A Abrasipa acabou se especializando em produtos que outros não conseguiam fazer aqui, porque tinham alguma dificuldade. Em pouco tempo, ela se organizou como uma empresa independente da Cardobrasil, que inclusive virou cliente nossa por muitos e muitos anos. Já existiam outras fábricas de abrasivos – mas produtos em borracha, produtos mais técnicos, ninguém fazia.

 

T&V - Seu avô veio de qual parte da Europa?
DL - Meu avô nasceu na Rússia e morou na Romênia antes de vir para o Brasil, após a Segunda Guerra Mundial. Ele saiu da Romênia por volta de 1945 e chegou ao Brasil por volta de 1948. E meu pai saiu de lá em 1958. Pegou todo o Pós-Guerra na Romênia, se formou engenheiro por lá, casou, teve uma filha, e veio com ela e a esposa para o Brasil. Um ano depois que eles chegaram, eu nasci, sendo assim o primeiro brasileiro da família [risos].
Na época do nascimento da Abrasipa, o sócio minoritário dessa empresa de produtos têxteis era o meu avô. Meu pai veio da Europa e entrou na empresa no final de 1959. Como estrangeiros, os nomes das empresas que fundavam eram todos em homenagem ao Brasil. A Cardobrasil também era de imigrantes. E a Abrasipa nasce como ‘Abrasivos Paulistas’ porque ficava em São Paulo.

 

T&V - A Abrasipa se firmou no mercado pelo desenvolvimento de produtos que ninguém mais fazia,  mesmo assim sofreu com as crises de mercado? Quais foram os piores momentos?
DL - Acho que se uma empresa de 50 anos está viva é porque soube lidar com as dificuldades. Tivemos bons momentos, outros nem tanto. No começo não havia um investidor, não tinha muito dinheiro. A empresa andava por conta própria, sempre com dificuldades. Concorrência nós sempre enfrentamos também. A Abrasipa, no ramo de metal-mecânica onde ela nasceu, nunca foi líder. Ela sempre foi uma empresa de nicho, de especialidades mesmo. Em épocas boas, os concorrentes não se importam muito com os nichos, mas em épocas apertadas os grandes vão e atacam os nichos, e aí fica bastante difícil para as empresas menores. Mas acho que os momentos mais difíceis foram os de crise econômica no geral.
Talvez a crise mais grave que a empresa sofreu foi em 1982, que foi mundial. Depois da primeira crise do petróleo no final dos anos 70, o choque foi repercutir mais forte no Brasil nessa época. Foi uma crise em que chegou a se pensar em fechar a empresa. Em 1990 também houve um momento muito difícil. Houve uma desindustrialização do Brasil, praticamente. Depois do Plano Collor, a indústria brasileira começou a importar muito e a produzir menos. Foram anos muito difíceis de lidar. Mas a gente sempre foi trabalhando em cima da qualidade de produto, não focando tanto naquele mercado em que só o preço mandava.

 

abrasivoT&V - Em que época dessa história a Abrasipa entrou e se estabeleceu no mercado de rebolos de polimento de vidro?
DL - Essa é uma história que começa já com 20 anos de empresa, no final dos anos 70, quando fomos procurados pela Blindex. Eles usavam um rebolo alemão de borracha que fazia o polimento do vidro. Chegaram pra nós com o rebolo usado, quase sem rótulo e perguntaram: “vocês conseguem desenvolver isto?” E caiu exatamente naquela nossa característica de empresa acostumada a desenvolver produtos sobre encomenda. E no Brasil já existiam três fábricas que faziam rebolos de polimento. Acredito que eles até procuraram as três; não sei como elas trabalhavam, mas pra nós caiu como uma luva. Com um ano nós já tínhamos um rebolo – mas foi com dois anos de pesquisa que a gente chegou em um rebolo que, na época não sabíamos, era muito bom. E a Blindex passou a comprá-lo, assim como algumas outras empresas algum tempo depois.
Para nós, esse rebolo era só mais um produto. Mas em 1990, quase 10 anos depois, houve uma feira de construção aqui no Brasil e alguns dos nossos clientes montaram três ou quatro estandes em um espaço pequeno. Fui lá visitar e um deles me disse: “esse rebolo que vocês fabricam é melhor que aquele alemão que a gente usava antes”. Isso me chamou a atenção. Entre 1990 e 1995 – demoramos um pouco, é verdade – é que nós fomos olhar o mercado do vidro mais seriamente. Percebemos que com a crise da indústria metal-mecânica o mercado caía, mas a indústria do vidro continuava subindo. Nos balanços de final de ano, começaram a aparecer números bem interessantes.
Em 1995, fui a uma feira internacional pela primeira vez para conhecer e fazer contatos. Naquela época os clientes é que vinham até nós para comprar. A divulgação era na base do boca a boca. Começamos a desenvolver uma estrutura com departamento de vendas para conhecer melhor o mercado e visitar os clientes. Desde então a gente tem feito um trabalho bem sucedido. Hoje somos especialistas nesse ramo – e são poucas empresas no mundo que tem esse conhecimento.

 

T&V - Interessante notar que vocês terminaram de desenvolver o rebolo de polimento na crise de 1982 e embarcaram no crescimento do mercado de vidro em meio à crise do Plano Collor de 1990...
 DL - Exato, você tem razão. Não tinha pensado nesse ponto de vista. É o rebolo da crise! [Risos]. E ele foi muito importante em 2009, porque a crise na indústria metal-mecânica foi muito mais forte, mas a construção civil puxou muito o consumo de vidro no Brasil. O vidro não sentiu a crise como outros setores. Não só esse mercado não caiu como, também pela nossa atuação de vendas e lançamento de produtos, até conseguimos crescer um pouco nesse mercado.
Atualmente o mercado de vidro, ou de clientes ligados de alguma maneira ao vidro, é responsável por 75% da nossa produção. Ano passado, com a crise da indústria metal-mecânica, encostou em quase 80%. Para ter esse crescimento, é necessário estar muito focado. Sempre participamos de feiras, sempre estamos em contato de alguma forma com o setor, porque ele é muito dinâmico. O tanto que o negócio do vidro cresceu de 1990 pra cá é impressionante. Num gráfico não dá nem para chamar essa evolução de parábola, porque a equação já está quase a 90 graus [risos]. 

 

T&V - Então podemos dizer que a crise de 2009 não afetou tanto a vocês, depois de aprenderem a lição nesses momentos anteriores mais difíceis entre os anos 80 e 90.
DL - Acho que você acertou em cheio [risos]. 2009 foi, talvez, a crise que enfrentamos mais conscientes, mais tranqüilos. Temos essa análise muito bem clara, de que tomamos as medidas certas na dureza necessária e por isso conseguimos passar razoavelmente bem.

 

T&V - A Abrasipa tem uma área de desenvolvimento interno, o que não é tão comum em empresas desse porte.
DL - Boa parte das empresas consideradas pequenas no ramo de abrasivos – na qual a nossa empresa se inclui – a parte de desenvolvimento de produtos geralmente é o próprio dono. A Abrasipa, não, ela sempre foi profissionalizada nesse sentido. Desde a fundação ela sempre teve engenheiros, técnicos e até técnicos práticos.  E é justamente o que proporciona que estejamos desenvolvendo produtos novos e entendendo as necessidades do mercado.

 

T&V - Depois de 50 anos, o que ainda há pela frente daqui por diante?
 DL - Para os próximos 50 anos os planos já estão todos traçados. A gente tem um projeto de crescimento e de internacionalização que está nos envolvendo há 10 anos – e finalmente depois desse tempo estamos maduros para esse desenvolvimento. A empresa, hoje, exporta direta e indiretamente para 33 países. Vendemos diretamente para cerca de 24 países e temos distribuidores, com quem a gente trabalha com exclusividade, que distribuem para os países restantes. Então isso tem sido muito importante pra gente não apenas como negócio, mas também como conhecimento. É uma forma muito importante de estar participando do mercado mundial conhecendo novidades, conhecendo a evolução e com isso também se desenvolver.
Esse é um projeto claro para nós: estar cada vez mais focado nos nossos mercados oferecendo produtos cada vez melhores e mais competitivos de acordo com a demanda, e também estar muito focado na questão internacional. Estamos nessa briga já há uns bons anos para internacionalizar a empresa e torná-la mundial. 

 

T&V - A empresa apóia projetos ligados à leitura, principalmente na área infantil. Como surgiram as idéias desses projetos?
DL - Essa é uma coisa muito importante pra nós. A minha formação pessoal é muito ligada à leitura e a minha esposa trabalha nessa área, com livros infantis. Nós apoiamos três congressos e uma instituição, o Lar Dona Cotinha, a montar bibliotecas. O projeto “Leia Comigo” consiste em treinar os educadores que trabalham nessa instituição a aprender a lidar com o espírito das crianças.  Ou seja, dar bastante liberdade e incentivo para as crianças terem o livro como um companheiro, e não aquela coisa chata, difícil, que é obrigado a ler na escola. A mudança de visão que o projeto propõe é deixar o livro como algo mais próximo, que a criança esteja convivendo com ele.
Assim como aqui na fábrica a gente montou uma biblioteca também, que é totalmente aberta, pouco controlada. Se algum funcionário quiser levar algum livro, filme ou revista pra casa, simplesmente fala pros outros que está levando e fica responsável por ele.

 

T&V - Alguma influência da cultura socialista do leste europeu nisso?
DL - Não exatamente [risos]. Mas essa é uma visão de difusão de cultura para todo mundo, com certeza.

Comentários
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Paulo Danilo  - curriculo   |19.04.2010
Bom dia meu nome é Paulo Danilo eu ja participei de uma entrevista na empresa de vocês e como não estou encontrando
no site de vocês o trabalhe conosco para estar enviando um curriculo,vou usar essa parte mesmo,se possivel gostaria de
ser chamado para uma entrevista obrigado.
Daniel Leicand  - Curriculo   |19.04.2010
Paulo Danilo,

O setor de seleção está a cargo de Marilene Lahoz no endereço marilene@abrasipa.com.br

Com
nossos votos de sucesso,

Daniel Leicand
Abrasipa
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