Brasil, o país dos esportes

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olimpiadas-2016Os próximos sete anos prometem para o Rio de Janeiro. Copa e Olimpíada alavancam a construção civil do estado; expectativa de cem mil empregos

 

Alea jacta est. Ou traduzindo do latim: A sorte está lançada. O Brasil tem muito trabalho pela frente por causa dos dois megaeventos esportivos que irá sediar: a Copa do Mundo, em 2014 e a Olimpíada, em 2016. Especialmente, o Rio de Janeiro deve estar bem ocupado nos próximos sete anos, tendo em vista que será uma das cidades-sede da copa (junto com Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) e sede oficial dos jogos olímpicos.
As apostas são de que este período deva render bons frutos para a cidade maravilhosa, notadamente conhecida por suas belezas naturais, contendo por isso só uma vocação inata para o turismo. As obras que virão com os eventos esportivos devem, assim, ser catalisadoras de mudanças positivas para o futuro carioca.
“Ainda não temos os dados oficiais, mas tem sido divulgado que devem ser aplicados 30 bilhões de reais no Rio para estes eventos. Desses 10 bilhões, cinco são para infraestrutura urbana, como extensão de linha de metrôs, ferrovias, rodovias e saneamento. Dois bilhões para a construção de complexos esportivos e três bilhões para a construção de hotéis. Isso deve criar 100 mil empregos não cumulativos diretos e indiretos, envolvendo fabricantes e administradores”, explicou o presidente do Sinduscon-Rio (Sindicato da Construção) à T&V, Roberto Kauffmann.
Parte do barulho que gira em torno desses dois acontecimentos desportivos se justifica pela difusão, que quase ameaçou a vitória do Brasil na disputa pela sede dos jogos contra as cidades de Chicago (EUA), Tóquio (Japão) e Madri (Espanha): a capital carioca não dispõe do número mínimo de leitos exigidos pelo COI (Comissão de Avaliação Olímpico Internacional), que é 40 mil, bem longe dos atuais 28 mil leitos disponíveis. Mas há quem discorde: “A verdade não é bem essa. O Rio dispõe de mais de 28 mil leitos. Esse número foi o disponibilizado pela rede hoteleira para o evento das olimpíadas pan-americanas, em 2007”, garante o presidente do Sincavidro (Sindicato do Comércio Atacadista de Vidro Plano, Cristais e Espelhos do Estado do Rio de Janeiro), Roberto Ferreira da Silva. E completa: “Mesmo assim, já existem vários projetos em fase final, que devem, em breve, começar a modificar esse quadro. Estejam certos que até 2016 estaremos preparados para atender essa demanda do COI”.
Para satisfazer a tal demanda, comentou-se, inclusive, no uso de navios como meio de atender parte dos leitos. “Na verdade, existe uma necessidade de construir 10 mil quartos. Há uma previsão de navios aportarem para hospedar oito mil pessoas, mas acho exagero e inviável. Os hotéis devem ser espalhados na Barra da Tijuca, no centro carioca, na zona portuária e na zona norte. Até porque tradicionalmente tem-se observado um aumento de turismo em todas as cidades que fizeram olimpíadas, acredito que será assim com o Rio de Janeiro. Não acreditamos que haja ociosidade após o término das olimpíadas”, apontou Kauffmann.

 

Rio2016_01Sem crise
Neste final de 2009, o Brasil é a décima maior economia do mundo, com previsão de ser a quinta até 2016. Quem o diz é o Banco Mundial. Naturalmente, a descoberta do maior campo de petróleo do mundo nos deixa em posição privilegiada diante de uma plateia capitalista alinhada com as necessidades de seus produtos derivados, como o plástico, a gasolina e até alguns medicamentos. Isso exemplifica o tamanho da força econômica do país, cada vez mais bem visto pelos olhos de investidores de todo o mundo.
“Felizmente, ao contrário das vezes anteriores, o Brasil estava preparado para enfrentar as turbulências que, diga-se de passagem, não fomos nós que fabricamos. Reservas cambiais elevadas, fundamentos econômicos bem cumpridos nos deram certa tranquilidade para que não tivéssemos muitos problemas nesse ano que foi muito difícil para a economia mundial”, frisa o presidente do Sincavidro, Roberto Ferreira da Silva.
Encerrada a fase de turbulência econômica, está mais do que na hora de dar continuidade às conquistas de até então. Nesse sentido, o desempenho das empresas da construção civil mobilizado pelas construções em decorrência da Olimpíada alavanca setores da produção em um efeito cascata. “Em relação ao mercado vidreiro, o otimismo permanece elevado. Temos metas de crescimento audaciosas que, ao que tudo indica serão cumpridas. É histórico que o crescimento do consumo de vidro sempre foi muito maior que o de outros setores da economia”, conclui Roberto Ferreira da Silva.



O futebol verde e amarelo em números:
• Clubes: 29.208
• Jogadores registrados: 2,1 milhões
• Jogadores não-registrados: 11,2 milhões
• Campeonatos estaduais: 27
• Divisões: séries A, B, C, D
• Jogos profissionais: 5 mil por ano
• Competições anuais: mais de 100
• Árbitros registrados: 61 mil
• Jogo internacional: a primeira partida oficial da seleção brasileira contra uma outra seleção aconteceu em 20/09/1914, contra a Argentina. E começamos mal: os argentinos venceram por 3x0 e deram início à eterna rivalidade.
Fonte: www.copa2014.org.br

 

De olho na conta:
Na soma de aportes governamentais e patrocínios privados, o Comitê Rio 2016 recebeu R$ 103.708.426,73. Deste total, R$ 14.718.868,13 foram pagos em impostos; e R$ 3.197.035,66 foram devolvidos aos cofres públicos. Os gastos líquidos com a candidatura Rio 2016 até outubro de 2009 foram de R$ 80.194.820,10. Restou R$ 5.597.702,84 de saldo, que será utilizado em investimentos iniciais do Comitê Organizador Rio 2016.
Fonte: www.rio2016.org.br

 

Enquete com as temperadoras cariocas
Na edição anterior da revista, publicamos uma enquete feita com temperadoras de todas as regiões do país. Por se tratar de enquete, não contemplamos todos os estados da federação; alguns ficaram de fora de nosso debate, inclusive por não obtermos resposta a tempo do fechamento da revista. Um dos estados que não entrou na enquete foi o Rio de Janeiro. Por este motivo, a presidente da Anavidro-RJ, Marilia Lins Pinto (leia artigo nesta edição), entrou em contato com nossa equipe de reportagem e questionou a ausência das temperadoras cariocas em nossa lista de discussão.
É válido aqui o seguinte esclarecimento: a enquete e a pesquisa guardam entre si diferenças particulares quanto às suas características. Enquanto a pesquisa é uma exploração dos fatos mais minuciosa e detalhada, a enquete é apenas uma sondagem, um levantamento. Fica explicado, então, que a revista Tecnologia & Vidro não prestigiou um estado em detrimento de outro, apenas a intenção não era de se realizar uma investigação científica do objeto ora analisado.
Com espírito investigativo, Marilia se dispôs a realizar a enquete com as temperadoras de seu estado: “O assunto me tomou aproximadamente 80 minutos. Senti dificuldades apesar de conhecer muito bem os responsáveis por esse assunto nas têmperas do Rio de Janeiro, mas a persistência sempre foi minha aliada”, falou.
Da interpretação da enquete carioca (acompanhe a tabela) pode-se concluir que metade das temperadoras entrevistadas manteve suas médias de pedido de produção inalteradas – hipoteticamente, mantiveram o mesmo número de pedidos de temperados –, enquanto a outra metade teve seus prazos reduzidos – supostamente, porque os pedidos de vidros diminuíram; com o detalhe de que foi adquirido um novo forno no estado. Deduz-se, portanto, que a crise econômica gerou um ponto de equilíbrio entre as temperadoras daquele estado, no sentido de que os pedidos que se deixou de fazer para as duas temperadoras (D e F) foram absorvidos pela temperadora B. Lógico que isso não significa necessariamente que uma empresa ‘tomou’ clientes de outra, mas apenas que o número de solicitações de vidros temperados no estado pode ter se mantido constante ou ter diminuído menos do que se imagina. O Rio de Janeiro, no entanto, é um case que precisa de agora em diante ser mais estudado, pois já se tornou centro da atenção mundial por causa dos dois megaeventos esportivos que irá abrigar, conforme você leu na matéria anterior.

 

Rio de Janeiro  Tempo atendimento Média
Tempera A 5 a 7 dias úteis  Mesmo
Tempera B 7 dias úteis  Novo forno
Tempera C 5 dias úteis  Mesmo
Tempera D 4 a 5 dias úteis 5 a 7 dias úteis
Tempera E  7 a 10 dias úteis  Mesmo
Tempera F 10 a 15 dias  já chegou 20 dias úteis
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