Canelado e impressos populares devem brilhar em 2010

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caneladosMercado de construção de casas para famílias de baixa renda anima o setor vidreiro; fabricantes de impresso estão de olho

A reportagem de Tecnologia & Vidro constatou na visita à cidade do Rio de Janeiro que o vidro canelado é o preferido pelos consumidores de baixa renda. Soube posteriormente que esse fenômeno se repete em outros estados brasileiros. Esse tipo de vidro impresso, produzido tanto pela Saint-Gobain quanto pela União Brasileira de Vidros (UBV) com o nome “canelado”, é o preferido de quem busca economia.
A explicação para o fenômeno é que esse é um vidro que há várias décadas pode ser encontrado na maioria das vidraçarias. Também é um tipo que não sai de linha, permitindo fácil reposição, e que permite maior privacidade no ambiente. Curiosamente, é instalado na quase totalidade das vezes com as listas verticais no estado do Rio de Janeiro enquanto que em outras regiões costuma ser instalado também com as listas horizontais, acompanhando as lâminas das persianas.
Na cidade do Rio de Janeiro, o vidro podia ser encontrado com preço de R$ 18 o metro quadrado se cortado no tamanho que o cliente pedisse. Em chapa inteira o preço cai para pouco mais de R$ 15. Já o incolor com 4 mm de espessura era vendido a mais de R$ 20 o metro quadrado.
O canelado, assim como outros padrões de impressos tradicionais, mais populares e voltados para a baixa renda, estão ganhando maior importância para os fabricantes de impressos. Esses produtos vão ao encontro da série de programas de incentivo do governo para a construção civil, como a redução de IPI para materiais e, principalmente, a construção de 1 milhão de casas populares (sem prazo definido).
Segundo dados do Ministério das Cidades, o déficit habitacional no Brasil é de 7,2 milhões de moradias. É também esse grupo que responderá por 47% da demanda por imóveis nos próximos 15 anos.
Focado nas famílias com renda de dois a cinco salários mínimos, o projeto tem reanimado o setor da construção após meses de decréscimo. "O segmento popular representa 40% de nossas vendas, e deve chegar a 50% em 2010. Também esperamos ampliar em 7% a nossa participação no país", disse o presidente da UBV, Sérgio Minerbo, ao anunciar a produção de um novo tipo de vidro, provisoriamente denominado de H.P. (Habitação Popular).
O novo produto terá relevo simples e espessura cerca de 10% menor. Enquanto o metro quadrado da chapa padrão pesa 8 quilos, esta pesará 7,5 quilos - a pequena diferença permite maior facilidade e escala na produção, o que diminui o preço em 5%.
O ano de 2010 é destacado devido ao vidro ser um material de acabamento, portanto, se o governo começar a construir agora os conjuntos habitacionais, só no ano que vem começará a envidraçar.
A Saint-Gobain Glass também está de olho no anúncio do governo, porém, irá adotar estratégia diferente. Pretende disponibilizar e facilitar o acesso aos produtos adequados a esta necessidade, como o canelado, o martelado, o monumental, entre outros, que são os mais populares da linha SGG Decor Lite.
Ambas empresas declaram, entretanto, que a opção de reforçar as vantagens dos vidros mais populares não é conflitante com as estratégias que vinham adotando de valorização do vidro impresso.
O diretor da Saint-Gobain, Luiz Fernando Tirone, assim descreve esse posicionamento: “Tendo suprido essa necessidade dos consumidores há tempos, continuaremos com a nossa estratégia de diferenciação. A recém lançada Linha SGG Masterglass é o maior exemplo dessa evolução ao falarmos de vidros impressos. É necessário frisar que o consumidor brasileiro está cada vez mais exigente não só no que diz respeito ao aspecto estético, mas também à segurança e à qualidade. Por isso, todos os produtos da Saint-Gobain Glass obedecem à norma NMNBR 297, referente aos vidros impressos”
Minerbo também reforça essa posição. Ele explica que a UBV atua em duas frente de trabalho que são complementares: a do segmento de vidros para habitação popular, que já representava uma parcela significativa dos negócios da empresa e a frente de posicionamento de marca e produto, participando dos maiores eventos de arquitetura e decoração do país, associado ao lançamento de novos produtos, maiores espessuras e desenhos sofisticados.
A UBV possui 60% do mercado de vidros impressos no Brasil, um universo de 13 milhões de metros quadrados ao ano. Os outros 40% ficam com a Saint-Gobain. O volume total de vidro impresso consumido no país ainda é pequeno, representa apenas 10% da produção total de vidros planos no Brasil, usados principalmente em janelas, portas, divisórias e móveis. Média inferior a meio quilo por habitante.

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