Crítica construtiva aos fabricantes de vidro e vidraceiros

E-mail

Para o arquiteto Carlos Bratke, empresários vidreiros deveriam estar disponíveis em vez de perseguirem os arquitetos somente quando lhes convém

Existe um descompasso entre as técnicas de abordagem utilizadas pelos empresários do ramo do vidro e as necessidades dos arquitetos. O relacionamento atual parece uma espécie de brincadeira de gato e rato, na qual o arquiteto não é atendido quando necessita e o empresário vidreiro tem dificuldade em implantar seus lançamentos ou serviços no mercado.

Quem faz a crítica acima é Carlos Bratke. Para quem não o conhece, seu currículo, incluindo os vários prêmios recebidos, está no final desta reportagem. Nome referência no setor de arquitetura brasileira, o profissional, com mais de 40 anos de experiência, ao ser entrevistado pela revista Tecnologia & Vidro sobre o lançamento de um livro (veja reportagem nesta edição) aproveitou para criticar a abordagem que é feita aos arquitetos, tanto pelos fabricantes de vidros quanto pelos vidraceiros e fabricantes de esquadrias.

Bratke comentou na oportunidade: “É bom esta entrevista com uma revista especializada em vidro porque é tão difícil nossa comunicação com os fabricantes de vidro e com os vidraceiros. É dificílima! Eu acho que isso atrapalha porque não temos um respaldo. Recentemente, por exemplo, tive de mandar fazer um protótipo pagando um serralheiro para isso, porque se você fala para um vidraceiro o cara não entende”.

Quando a reportagem comentou que os fabricantes divulgam que estão fazendo um trabalho constante de apresentação das vantagens do vidro e dos lançamentos desse setor o arquiteto respondeu que, quando os procuram é para importunar com soluções que não servem para o momento. Ele descreve: “Quando a gente é procurado geralmente o cara quer torrar o saco da gente. O processo tem de ser ao contrário. O arquiteto é quem tem de procurar o fabricante e o vidraceiro. Estes deveriam estar disponíveis, preparados e com um canal de comunicação aberto, mas não é assim que acontece. Sempre que precisamos eles não têm tempo. Mas quando eles decidem aparecem. No final o escritório fica um depósito enorme de cerâmica, vidro, alumínio e outras amostras. É um bombardeio de fabricantes querendo empurrar o lançamento de vários materiais. Essas amostras de tempos em tempos precisam ser jogadas na caçamba da rua para liberação de espaço”.

O arquiteto cita também que o momento da abordagem também está inadequado. Ele explica: “Outro problema é que só quando temos o contrato assinado em mãos é que podemos chamar um Mário Newton (consultor especializado em esquadrias e vidro) da vida. Mas é quando estamos bolando o projeto e ficamos ali sem receber nada, trabalhando no risco para o cliente, a fase em que mais precisamos desse respaldo. Esse é o momento importante e não depois que conquistamos o contrato”.

Uma dica de Bratke é que as empresas contratem arquitetos para falarem com os escritórios de arquitetura. Assim o arquiteto descreve sua idéia: “O ideal seria os fabricantes e vidraçarias de certo porte terem um arquiteto em suas empresas. Atualmente é um profissional acessível, pois há muita gente se formando. É bom porque ele pode traduzir o que se deseja para a empresa. Geralmente em empresa de vidros tem muito engenheiro, mas o engenheiro não consegue captar nossas necessidades. São formas diferentes de se pensar. Um precisa do outro, mas o diálogo às vezes é difícil. O ideal seria começar a formar arquitetos especializados em vidros para isso. Esse arquiteto trabalharia ao lado de um engenheiro nas empresas de caixilharia ou de vidros, entendendo e prestando a assessoria que necessitamos”.


Currículo e prêmios

Carlos Bratke nasceu em São Paulo, em 20 de outubro de 1942. Formado em 1967 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie (FAUUM).
Pós-graduado em Planejamento e Evolução Urbana em 1969 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Professor-Adjunto de Representação Gráfica.
Professor-Adjunto da Cadeira de Projeto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie (FAUUM).
Professor da Cadeira de Projeto da Faculdade de Arquitetura Belas Artes.
Vice Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil nos biênios 88/89 e 90/9l (IAB).
Presidente do IAB para o biênio 92/93.
Diretor do Museu da Casa Brasileira - 1992/1995.
Conselheiro da Fundação Bienal de São Paulo.
Presidente da Fundação Bienal de São Paulo 1999/2002.
Projetos no Brasil, E.U.A., Uruguai, Israel e México.

Prêmios

Prêmio Assembléia Legislativa de São Paulo - 43º Salão Paulista de Belas Artes - 1979.
Prêmio Assembléia Legislativa de São Paulo - 45º Salão Paulista de Belas Artes - 1981.
Prêmio Medalha de Ouro - 46º Salão Paulista de Belas Artes - 1983.
Prêmio Rino Levi na Premiação Anual do IAB /SP - 1985.
Prêmio Cubo de Plata na 2a Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires - 1987.
Expôs individualmente sua obra em 1989 em Washington.
Prêmio Belgo-Mineira Arquitetura - 1994.
Prêmio ABCEM para estruturas metálicas - 1994.
Prêmio Categoria Residencial Unifamiliar - Premiação Anual IAB/SP 1994.
Prêmio Conjunto de Obras - Premiação XV Congresso Brasileiro de Arquitetos - Curituba - 1997.
Grande Prêmio III Bienal Internacional de São Paulo - 1997.
Prêmio “Vitrúvio 99” de Arquitectura Latinoamericana do Museo Nacional de Buenos Aires, 1999.
Prêmio AsBEA 2006 – Edifícios Institucionais.
Prêmio Conjuntos de Edifícios - Corporativos XI Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires – 2007
VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativo - 2009

Comentários
Fazer um comentário
Daniela Menegaz  - Carlos Bratke   |04.12.2009
:whistle: O problema todo é que arquiteto acha que conhece vidro. Querem projetos inviáveis e impossíveis. Sem falar
que nas gordas comissões que temos que pagar a eles. A arquitetura tem que se adequar ao vidro e não vice-versa.
Empresas vidreiras desenvolvem vidros especiais para oferecerem aos arquitetos,ao invés de ficar a disposição para
desenvolver somente qdo o mercado pede......Ha, também somos mal atendidos pelo ramo de arquitetura.
Kelma Jucá revista T&V   |07.12.2009
Cara Daniela Menegaz,
Entre em contato conosco pelo e-mail kelmajuca@redacaofinal.com.br para repercutirmos seu
comentário na revista Tecnologia & Vidro.
Denilson  - Solução Ambientalmente Correta   |06.07.2011
Para atender a criatividade dos profissionais gostaria de sugerir a inivação em acabamento de vidros.
Material a base
d´'agua comfacil aplicação e cores infimas.
Pesquise Becker Acroma
047-3631-0114
Escrever um comentário
Nome:
E-mail:
 
Título:
 
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
Outras Matérias: