Setor moveleiro: pelo acordo do IPI

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02Recuperação ainda não chegou ao setor de móveis; isenção de IPI ameaçada por aumento do preço de painéis de madeira

 

 

 

Em novembro do ano passado, foi anunciada a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o setor de móveis. A princípio, o prazo seria até o dia 31 de março – recentemente, porém, os fabricantes de painéis de madeira (matéria-prima do setor) aumentaram os seus preços em 8,5%. Isso fere o acordo feito com o governo federal e põe em risco a continuidade da medida.

 


03Os móveis fazem parte do mix de produtos que usam o vidro como valor agregado e possuem na Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel) uma entidade que luta pelo seu fortalecimento no mercado brasileiro. Inclusive, foi ela forte articuladora para a redução do IPI dos móveis. Recém reeleito como presidente, José Luiz Diaz Fernandez, pretende a manutenção da medida que a princípio tornaria o preço de mobiliários mais barato. A entidade busca uma negociação entre o Ministério da Fazenda e os fabricantes de painéis de madeira. 
Em relação às perspectivas para 2010, Fernandez espera que o mercado retome os níveis registrados em 2008, antes da crise mundial que afetou o mundo dos negócios. “Vamos procurar estreitar mais os laços entre os varejistas e os produtores e promover, também, a relação entre os importadores de nossos produtos e os fabricantes especializados em exportação”, falou.
Especificamente sobre o setor de móveis , o presidente da Abimóvel disse para a T&V: “A crise que começou em setembro de 2008 foi muito severa. Achávamos que iríamos entrar em recuperação em 2009, mas isso não aconteceu. No nosso caso, a redução do IPI para  a linha branca – que compete conosco – acabou nos afetando”. O que houve é que com a redução do IPI para eletrodomésticos, as pessoas começaram a comprar mais estes itens em detrimento dos móveis.

 

01A expectativa era de que, com a redução do IPI, o setor iniciasse uma recuperação, visto que, entre maio e outubro, teve queda de até 10% mensais. No mesmo período, também beneficiada pela diminuição do imposto, a linha branca (eletrodomésticos de grande porte como fogões e geladeiras) registrou aquecimento de vendas de até 25%. “Esperamos um aumento de até 5% mensais nas vendas até o final do benefício, mas, para isso, é preciso que todos estejam engajados e cientes da importância de se cumprir o acordo”, ressaltou Fernandez. Os painéis representam cerca de 60% do valor dos móveis populares no varejo.
 “Caso o diálogo não seja possível, vamos fazer de tudo para que a confiança não seja quebrada. Para isso, precisamos manter o acordo de diminuir os preços dos móveis, que foi um pedido pessoal do ministro da Fazenda, Guido Mantega”, disse Fernandez.

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