UBV ganha quarto forno

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“Agregar ao mercado mais que crescer em detrimento da concorrência”. Este é o pensamento da companhia, que deve passar a produzir 300 toneladas de vidro impresso por dia

3A UBV realizou, no dia 15 de setembro, a cerimônia de acendimento do quarto forno de sua fábrica, na zona sul de São Paulo. A empresa investiu R$ 70 milhões a unidade produtiva, que permitirá um aumento em 50% de sua capacidade de produção – hoje de mais de 200 toneladas de vidro impresso por dia.

A grande diferença deste forno é o seu potencial de produção. A UBV passará a produzir chapas de vidros de 3,21 metros por 2,20 metros – maiores do que habitualmente o mercado brasileiro oferece – com espessuras de 2 milímetros até 12 milímetros. Com 150 metros de extensão e duas linhas de laminação de vidro, o forno possui grande parte de sua operação automatizada, e é movido alternativamente a gás natural, eletricidade ou óleo combustível.

A expectativa da companhia é introduzir novos produtos, dimensões e espessuras maiores e diferenciadas já no primeiro ano de funcionamento do forno. Em entrevista à revista Tecnologia & Vidro, o presidente da UBV, Sérgio Minerbo, fala do novo forno – que deve oferecer produtos novos na próxima Glass South America – e chega a acenar a possibilidade de um quinto forno em 2010. Há quase um ano na presidência da UBV, Minerbo garante ter hoje sua própria visão sobre o setor, revela ter aprendido com o vidraceiro e se diz fascinado com o mercado do vidro. Acompanhe os principais momentos da entrevista.

Revista Tecnologia & Vidro (T & V) – No ano de 2007, a UBV cresceu 15%. Agora com a inauguração deste novo forno, quanto vocês pretendem crescer?

Sérgio Minerbo – Em termo de capacidade, a gente estima ganhar até 50% de volume de capacidade de produção. Não necessariamente vamos conseguir vender isso tudo num primeiro momento, mas como receita (2008 sob 2007) a gente espera um crescimento de 20%, até porque a gente vai começar a ter produtos praticamente agora no último trimestre.

T & V – Isso significa quanto em reais?

Minerbo – Prevemos 80 milhões de reais para 2008.

T & V – Com o novo forno vai ser possível fazer chapas de vidro de até 12 mm de espessura. Isso vai fazer com que se exportem mais o produto?

Minerbo - Sim. O equipamento novo vai permitir que a gente faça vidros de 10 e 12 mm. O mercado de 10 mm tem um alvo muito específico, o de divisórias de vidro - hoje basicamente dominado pela opção float com persiana. Então, certamente, a gente tem um produto competitivo, uma vez que você tem que somar o float à persiana. Além disso, a gente vai agregar ao ambiente. Os padrões que a gente pretende trabalhar nos 10 mm permitem que participemos da decoração. Esse mercado de dez também existe lá fora, e eu acho que é um produto que vai ser bastante exportado até porque ele tende a ser menos sensível à cotação do dólar do que o de 3 mm, por exemplo. Já o 12 mm é outro segmento, o moveleiro. A gente também imagina criar algo para esse segmento, seja no Brasil seja lá fora. O objetivo é ter capacidade de produção e de lançar produtos novos e criar mercados para o vidro impresso. Com isso a gente poderia crescer não em detrimento da concorrência, mas agregando ao mercado efetivamente.

T & V - As exportações de vocês eram de 15 a 20%, mas agora caiu para 5 a 7%. Será possível aumentar essa média?

Minerbo - A gente imagina que ela possa voltar já no segundo semestre do próximo ano aos patamares históricos de 15 a 20. A gente tem os contatos lá fora e já estamos viajando. Na próxima Glass South America, esperamos ter produtos do forno novo para começar a apresentar ao mercado e fazer os contatos iniciais para as exportações.

T & V - Qual é a expectativa para começar a produzir o novo padrão?

Minerbo - A expectativa é muito grande da nossa parte e da parte do mercado. Os contatos de fora nos ligam e cobram produto. Eu imagino que esse pessoal no início de 2009 comece a nos visitar para ver e, assim, comecem a enviar os pedidos. Quanto aos padrões novos, temos um ou dois em desenvolvimento – específicos para o segmento de divisória e tampo de mesa. Esses desenhos não estão finalizados ainda; estamos fazendo estudos com marketing e verificando a aceitação de mercado.

T & V - Até o final do ano, a gente já vai poder ver novos desenhos?

Minerbo - Não. Só mesmo em 2009.

T & V – E como está a certificação do meio ambiente?

Minerbo – Este é um processo complexo que começou em 2006. Realizamos uma série de adequações internas, com resíduos, com condições, com tratamento de água e tudo mais. A formalização do processo que envolve um trabalho um pouco mais intenso a gente acabou deixando de lado para poder concluir o projeto que conseguiu muito mais recurso do que a gente estava imaginando. Isso finalizado, a gente deve retomar no começo do ano que vem esse processo e se Deus quiser até o final do ano de 2009 nós vamos ter a certificação.

T & V - Você assumiu a presidência da UBV no dia 14 de janeiro de 2008. Já deu para sentir bem esse mercado do vidro? O que você tem a dizer sobre isso?

Minerbo - Já deu para sentir e já deu para processar também. Eu acho que é um mercado apaixonante. Eu vim do segmento de embalagens e sempre trabalhei com outros materiais. O único material que eu não tinha trabalhado era o vidro, que tem outro segmento de mercado, outra forma de vender, outras aplicações. Enfim. É um mundo totalmente diferente, mas muito fascinante. Em minha opinião, é um mercado que tem muito para crescer e está longe de estar maduro. O vidro impresso, particularmente, tem muito a contribuir no mercado com inovação, com padrões novos. E não falo só de dimensões de chapa, que é uma coisa que mais o beneficiador enxerga isso como vantagem, mas o consumidor final não necessariamente consegue perceber isso. No entanto, o que a gente sabe é que o consumidor final percebe inovação. E ele pede inovação.

T & V – É isso que a UBV tem feito? Inovar?

Minerbo - O que a gente tem feito na UBV há mais de dois anos é segmentar produto e entregar inovação. Toda nossa comunicação é em cima de inovação e de valor percebido por parte do consumidor. A gente trabalha muito o consumidor final e o especificador para que eles voltem na cadeia e peçam para o beneficiador e para o distribuidor os produtos que eles anseiam ter. E já não são mais os produtos padrão. Dentro de nossos números, os itens tradicionais que existem no mercado há dezenas de anos têm caído em participação, enquanto os itens exclusivos e os itens espessos têm crescido em participação.

T & V – Estes últimos são produtos de maior valor agregado?

Minerbo – Sim. São produtos de maior valor agregado, onde a gente não está lá só para separar um ambiente, só para dar privacidade. Dá para fazer isso tudo e agregar decoração, agregar valor. Oferecer uma percepção de um ambiente mais moderno, mais trabalhado. Um ambiente onde detalhes do vidro foram pensados.

T & V – A que você aponta esta mudança?

Minerbo – Em conversas com os mais diferentes públicos na última Glass, eu, que sou novo no segmento [de vidro], pude formar minha própria visão de mercado. O consumidor tem optado pelo item diferente, mesmo com um pequeno diferencial de preço. O vidraceiro está notando isso e ganhando porque, como homem de negócio, sabe que pode fazer uma margem um pouco maior de lucro vendendo itens exclusivos. E mais, dessa forma, ele cria a fidelidade com o consumidor, uma vez que nem todos os vidraceiros trabalham com vidros exclusivos. Daí, quem trabalha tem a garantia da recompra numa eventual reforma.

T & V – O que o mercado pode esperar da UBV agora em diante?

Minerbo - Eu realmente acredito muito que o mercado vá se surpreender com os produtos. Porque terá um vidro com uma massa mais clara, com uma superfície muito mais regular e com texturas novas a partir do ano que vem. O beneficiador e o consumidor final vão gostar do que vão enxergar. O arquiteto e decorador terão materiais inéditos para trabalhar. O vidro tem tido uma aceitação e crescimento de uso muito grande lá fora. E lá fora realmente tem coisas diferentes. A gente vai apresentar e vai dar para os arquitetos brasileiros coisas diferentes para que eles possam exercer mais ainda a criatividade em cima do vidro. Serão os próximos cinco anos mais divertidos da minha vida (Risos).

T & V – Mas o mercado vai absorver a produção de 300 toneladas de vidros por dia?

Minerbo – Sim, absorve. Atualmente, existe um teste de oferta, tanto que nós hoje importamos. Então, a gente deixa de importar e repõe com produção local. Vamos exportar mais do que se exporta hoje. Inclusive, acho que no final de 2010 a gente já irá falar de forno 5!

T & V – Então, é aguardar?

Minerbo – Vamos aguardar!

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arnaud  - arnoudneto@hotmail.com   |18.07.2010
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