Deocleciano, o empresário do setor de vidros, está vivendo em plena crise econômica. Mas não sentiu ainda os efeitos dela. Os negócios vão como sempre, com altos e baixos no volume de pedidos, lucratividade baixa e tendo de trabalhar dobrado para manter o faturamento que tinha em um passado recente. O que mudou é a previsão alardeada por muitos de que as coisas vão parar em breve.
Está em paz apesar de toda essa incerteza. Confia em Deus para suprir suas necessidades e, por precaução, tem dobrado os momentos de oração e lido menos jornal. Desde que resolveu se apegar a sua espiritualidade tem adotado atitudes semelhantes a essa.
Como é de se esperar, tem enfrentado críticas. Alguém outro dia comentou que atitudes de abraçar a fé e a religiosidade nessas horas é como utilizar bengalas ou muletas. Era preciso caminhar com as próprias pernas... e coisa e tal!
Pensando consigo mesmo refletiu por alguns instantes... No caso das muletas ou bengalas, só as usa quem admite que precise delas. Ou seja, é preciso humildade para reconhecer essa necessidade e conhecimento suficiente para aproveitar as qualidades desses acessórios.
Após uma breve pesquisa na Internet descobriu que em países de clima frio é comum a utilização de não somente uma, mas duas bengalas. Não por deficientes, mas por milhares de atletas.
Cientistas dedicados aos esportes desses países descobriram que o desempenho de um atleta em longas caminhadas, principalmente com longas subidas, pode ser aumentado em mais de 50% com a utilização dessas bengalas, chamadas por aqui de “bastões de trekking”. Em algumas modalidades elas são utilizadas para imprimir à caminhada uma maior cadência de ritmo (passada alongada e como tal percorrendo-se distâncias maiores em menos tempo).
Existem vários estudos que demonstram que o esforço da caminhada, usando bastões é mais repartido entre os diversos membros bem como pelo resto do corpo, sendo um fator importante para a redução da carga de força exercida sobre a coluna vertebral e, sobretudo, nos joelhos.
Em pisos mais irregulares ou com neve facilitam o equilíbrio e a progressão. Também contribuem para a manutenção de uma postura mais correta, contribuindo para um ciclo respiratório mais intenso e ativação da circulação sanguínea.
Concluiu, portanto, que utilizar muletas e bengalas pode ser encarado como uma atitude inteligente. E descansou novamente, passando a observar os companheiros do setor lastimarem a perda de sono devido suas preocupações constantes com o futuro.