Vidros para Revestir

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O revestimento de paredes, pisos ou móveis com vidros apresenta vantagens, mas são necessários cuidados especiais.

Gesso, aço, pedra, madeira, tecido, fórmica, resina, papelão, cerâmica, porcelanato, pastilha fibra de bambu, fibra de coco e cimentícios. Esses são somente alguns dos materiais usados para revestimento de paredes, móveis e pisos. Como é possível notar, não existem limitações para a criatividade na hora de revestir. Alguns materiais, entretanto, apresentam vantagens que os destacam e acabam conquistando um público maior. O vidro já disputa espaço entre esses.

A verdade é que, embora a originalidade conte, quando o assunto é revestimento de paredes, móveis e pisos, adotar o bonitinho não resolve. É preciso pensar no desempenho e na durabilidade.

A preferência recai sobre materiais que preencham a maior parte das seguintes exigências:
:: Facilidade de limpeza;
:: Facilidade de instalação;
:: Promoção de maior luminosidade e sensação de amplitude dos ambientes;
:: Sustentabilidade do material (que seja reciclável);
:: Promoção de isolamento térmico;
:: Promoção de isolamento acústico;
:: Resistência à abrasão;
:: Resistência a pancadas eventuais;
:: Resistência à formação de bolor ou fungos;
:: Resistência à umidade ou infiltrações;
:: Resistência ao desbotamento pela ação do sol e da chuva;
:: Variedade de cores e estilos;
:: Que sejam antiderrapantes (no caso de pisos)
:: Melhor custo-benefício.

Por atender satisfatoriamente a todas essas exigências, a utilização de vidros aplicados no revestimento de pisos, paredes e móveis aumenta a cada ano.

A empresa Paulista Conlumi, por exemplo, assessora vidraçarias para que estas realizem instalação de vidros em paredes e pisos há mais de duas décadas. Em parceria com estas a Conlumi já instalou como revestimento, vidros serigrafados, vidros acidados (veja reportagem completa nesta mesma edição), vidros esmaltados (pintados a frio), vidros impressos, vidros laminados e espelhos acidados (veja reportagem completa nesta edição) nas cores prata, bronze e fumê.

Segundo o diretor da Conlumi, Claudio Passi, as principais vantagens do vidro sobre outros materiais é a rapidez, a facilidade de instalação, o menor custo e a limpeza na execução do revestimento.

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O valor de um revestimento com vidros pode assustar o cliente, a princípio. O custo varia de vidraçaria para vidraçaria e depende muito da espessura que vai ser utilizada e também do tipo de vidro escolhido.

O float 4mm e o vidro impresso 4 mm transparentes são as opções de menor custo, mas se aplicam a poucos casos. A preferência em revestimentos é para vidros coloridos. Pelo vidro pintado a frio, por exemplo, a paulistana Sobravis, que utiliza tintas da Collorglass, cobra R$155,00 o metro quadrado na espessura de 4 mm e R$ 215,00 o metro quadrado na espessura de 6 mm. “Para revestimento de paredes essas espessuras atendem bem”, afirma Thiago Trombini, sócio da empresa.

Os vidros serigrafados e laminados possuem custo maior que os pintados a frio. Em compensação, os dois possuem maior resistência à ação do tempo e oferecem mais possibilidades de aplicação por se tratar de vidros de segurança.

O preço dos vidros pintados para revestimento pode ser comparado ao do granito e do mármore, que são os mais utilizados para essa finalidade. Uma breve pesquisa na internet revela que o metro quadrado do mármore comum em promoção custa R$ 150,00, podendo chegar a R$ 500,00, dependendo do tipo. Já os granitos variam de R$ 100,00 a R$ 300,00. A instalação dessas pedras, entretanto, é um serviço caro, demorado e que produz muita sujeira.

Outra vantagem para o vidro é que ele dispensa a necessidade de haver uma parede atrás para suportá-lo. Somente uma armação metálica é suficiente para fixar o material.

Segundo Thiago, as tintas da Collorglass suportam bem a aplicação em paredes e oferece 42 opções de cores, inclusive tonalidades especiais, como cobre, prata e perolado.

Competindo nesse nicho de mercado a Cebrace lançou no ano passado um vidro esmaltado (pintado a frio) direto da fábrica. A vantagem é a qualidade superior da pintura, feita logo após a produção do float, que proporciona maior brilho, o fornecimento em grandes chapas e a garantia da companhia. A linha é chamada Coverglass e é oferecida nas cores: branco, extra-branco, vermelho ópera, preto e preto real. O preço do metro quadrado lapidado ao consumidor é de R$ 205,00 na Divinal Vidros de São Paulo.

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Revestir pisos com vidros é uma operação um pouco mais complicada. É preciso verificar qual será a carga que o piso irá suportar e se fazer os cálculos. Uma dica é acessar o site da Cebrace (www.cebrace.com.br), clicar na opção “Cálculo de Espessura” e, em seguida, “Piso de Vidro”.

Para revestimento de pisos, por exigência de normas técnicas, é preciso utilizar vidros laminados ou laminados de temperados. A espessura necessária para suportar o peso e garantir a segurança dos usuários acaba encarecendo o produto quando comparado com os materiais mais comuns utilizados para essa finalidade. Entretanto, nenhum material permite a visibilidade ou deixa a luz penetrar como o vidro.

Outros cuidados na instalação de pisos de vidro é quanto à superfície derrapante do material, principalmente quando molhada. Para isso é preciso aplicar material antiderrapante (adesivo ou líquido transparente) ou utilizar vidros impressos na composição dos laminados.

Segundo a coordenadora de marketing da Saint-Gobain Glass, Katia Sugimura: “No caso dos pisos, o vidro impresso alia beleza e segurança por possuir função antiderrapante, além de esconder eventuais riscos e arranhões na sua superfície, mantendo o produto sempre novo”. Quem compartilha da  mesma opinião é a coordenadora de marketing da União Brasileira de Vidros (UBV) Caroline Sanchez, que destaca a textura denominada Antílope para essa aplicação: “No caso do vidro Antílope, ele é antiderrapante, e por isso, se aplicado num piso, garante segurança ao usuário”, diz.

Impressos

Vidros impressos, pintados, serigrafados ou laminados, revestem com originalidade qualquer superfície. Katia afirma: “ No caso do revestimento de paredes com vidros impressos, o valor estético pode ser complementado ainda com: pintura a frio – e atualmente há no mercado uma enorme gama de cores; espelhação, proporcionando um ar ainda mais moderno ao ambiente; e serigrafia, que agrega resistência mecânica e diminui o risco de ferimentos, pois em caso de quebra o vidro temperado fragmenta-se em pequenos pedaços sem pontas.”, explica a coordenadora de marketing.

Caroline, por sua vez, destaca: “Além de bonitos pelas suas texturas, eles têm personalidade, valorizam o ambiente, disfarçam riscos e sujeiras, e por isso, permanecem bonitos por muito mais tempo.”

No revestimento em vidro, há a vantagem deste material não absorver água e ser quimicamente inerte, mantendo a beleza e a aparência de um produto sempre novo. “E, quando instalado na parede tem maior durabilidade, pois está menos sujeito a impactos, por não ser poroso, não retém sujeira e a manutenção dispensa produtos especiais, proporcionando uma limpeza fácil e econômica”, ressalta Katia.

Sobre o incremento na utilização de impressos em revestimentos, Caroline enfatiza: “Nos últimos 10 anos vem acentuando-se essa tendência no mundo inteiro, fomentadas por mostras de decoração como Casa Cor e Salão de Milão. A própria UBV já participou de diversas edições da Casa Cor, onde renomados arquitetos utilizaram vidros impressos pintados ou espelhados em diversos ambientes. “Foi um sucesso e abriu as portas desse mercado para os nossos produtos.”

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Espelhos acidados e impressos com espelhação

Se a proposta do revestimento é proporcionar maior amplitude aos ambientes, revestir as paredes com espelho é a solução infalível.

Existem situações, entretanto, em que esse recurso não é apropriado ou que foge da proposta de decoração. Para essas situações existe a possibilidade de se utilizar espelhos acidados nas cores prata, bronze ou fumê (veja reportagem completa nesta edição) e também impressos que passarem por um processo de espelhação.

Os dois produtos ampliam a luminosidade do ambiente e criam a ilusão de que existe somente uma divisória separando a parede de um espaço amplo logo atrás.

Como instalar

O vidro pode ser instalado por azulejistas. Segundo Leandro, da Conlumi, devido ao sistema de trabalho ser diferente da do vidraceiro, estes preferem instalar o produto com a argamassa Obe Exterior AC-II, da Otto Baumgart. Eles defendem que o produto assenta o vidro sem prejudicá-lo.

Essa prática, entretanto, é questionada pelo diretor da fabricante de adesivos técnicos e silicones Alpatechno.

Segundo Dalton, as argamassas não oferecem o movimento adequado como elemento de fixação, podendo com o tempo, romperem com o peso do vidro e a movimentação dos substratos. “As argamassas, também podem manchar alguns tipos de vidros ou espelhos mais sensíveis”, defende o empresário.

Para ele, a indicação do adesivo, deverá sempre estar relacionada ao tipo de projeto. Nesse caso, quando se deseja fixar vidros, existem três situações: fixação simples em parede, colagem em uma estrutura de alumínio (estrutural), ou fixação de pisos.

Para o primeiro caso a empresa fornece o adesivo Obrapro Espelhos e Vidros Especiais – similar ao conhecido Fixa Espelho, da Blindex – e também o adesivo AP 138. No caso de colagem estrutural a norma 15737 da ABNT e as internacionais indicam unicamente o silicone estrutural, (AP 737 no caso da Allpatechno), nenhum outro tipo de adesivo ou fita dupla face pode ser recomendado.

Para juntas de pisos recomenda-se projetos que protejam as juntas da abrasão ou que o desenho fique fora do ponto de abrasão.

IMG_4885Para evitar surpresas Dalton recomenda que sejam feitos testes nos substratos a serem colados. “Nossos adesivos foram desenvolvidos para não reagirem com os raios UV (geralmente causadores do amarelamento), no entanto, alguns tipos de pinturas em vidros, borrachas e outros materiais, que não o vidro,  devem ser testados”, explica.

Superfícies

Nem todas as superfícies podem receber o revestimento de vidros. A parede deve estar “saudável” para isso. Paredes com tinta descascando, concreto com infiltração, pinturas antigas ou de má qualidade e outras situações que prejudiquem a colagem devem ser corrigidas antes de se tentar a instalação.

Segundo Claudio, da Conlumi, “deve-se cuidar, primeiramente, da planicidade da superfície e evitar fixar os vidros sobre paredes não pintadas”. Se as paredes estiverem pintadas com tinta látex ou acrílica torna-se possível a instalação, mas existem outras recomendações importantes. Claudio ensina: “Deve-se fazer a limpeza absoluta da superfície do vidro com álcool isopropílico antes da colagem. Além disso, deve-se paginar os vidros com juntas entre 1,5 mm e 2 mm para rejuntamento posterior”.

Thiago, por sua vez, recomenda espaçamento de 3 mm e sugere que o rejuntamento deva ser feito com qualquer tipo de massa ou silicone transparente ou colorido.

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