Guia de Laminadores

DEZ DICAS SOBRE VIDROS LAMINADOS


Você acha que sabe tudo sobre vidros laminados? Separamos dez dicas que podem te surpreender

O VIDRO LAMINADO é bem conhecido pelos vidraceiros. É o único tipo de vidro que pode entrar em coberturas e guarda-corpos. E sua variação multilaminada é a única aplicável em pisos, degraus e visores de piscinas. Também é conhecida sua versão composta de vidros temperados, denominada laminado de temperados, que possui maior resistência mecânica. Esse tipo pode ser instalado de forma estrutural, com ferragens adequadas, por aperto ou aparafusamento. Acompanhando conversas de vidraceiros nos vários grupos de WhatsApp é possível perceber que existem ainda algumas dúvidas sobre esse produto. E até mesmo alguns boatos. Em reportagem reproduzida neste encarte especial, entrevistamos Daniel P. Domingos, responsável pela parte de vidros para arquitetura da Eastman (Ex-Solutia), tradicional fabricante de Polivinil Butiral (PVB). Esse é o material intercalador, denominado interlayer, que é aplicado entre as chapas de vidro para formar o vidro laminado. Da entrevista, extraímos estas dez dicas:

1. O Interlayer (ou intercalador) é um componente que pode alterar totalmente o desempenho do vidro laminado, alterando a configuração do produto.

Nem todo vidro laminado é igual. A principal diferença entre eles está no interlayer, que é o componente aplicado entre as lâminas de vidro. Existem diversos tipos, sendo o Polivinil Butiral (PVB), o mais conhecido. É utilizado há décadas e o que oferece maior produtividade. Existe também variação entre os tipos de PVBs, dentre os quais destacam-se:

• PVB estrutural, desenvolvido para ser mais rígido e oferecer maior resistência.
• PVB solar, desenvolvido para barrar os raios infravervelhos e, desta forma, o calor.
• PVB acústico, desenvolvido para reduzir o ruído que entra nas edificações.
• PVB colorido, que oferece opções quase infinitas de cores.

2. O interlayer interfere na espessura do vidro a ser utilizado.

Já ouviu a frase de que os “laminados de temperados aplicados em guarda-corpos por ferragem ou parafusos precisam ter necessariamente a espessura de 16 mm”? Pois essa frase está incorreta por dois motivos: primeiramente porque não existem espessuras padrões para esses casos. Todo o conjunto precisa ser submetido a ensaio. O segundo motivo é porque, dependendo da aplicação, pode-se utilizar o interlayer estrutural, e assim utilizar vidros menos espessos, obtendo-se o mesmo desempenho. Consequentemente existe redução no peso total do conjunto, o que é bastante interessante em alguns casos, como em embarcações ou estruturas leves.

3. É possível calcular com exatidão qual a espessura adequada para os vidros laminados de acordo com as várias aplicações possíveis, inclusive a estrutural.

É um boato defendido pelos vidraceiros tendenciosos ou com pouco conhecimento de que as espessuras adequadas dos vidros laminados em aplicações estruturais são calculadas na base do “chute”. Domingos informa que a Eastman fornece, a todos, informações sem custo sobre cálculo de espessuras
aplicáveis ao Saflex DG, que é a versão estrutural da marca. Basta o interessado acessar www.saflex.com, acessar a área de cálculo de espessuras após o preenchimento de um breve cadastro. O software disponível no site é capaz de calcular espessuras em aplicações mais simples, como um guarda-corpo com apoio em três lados ou uma grande peça de vidro laminado aplicado com moldura. O software fornece a capacidade de carga que cada espessura irá suportar.

Para aplicações mais complexas, como fachadas, colunas e travessas de vidro que irão suportar cargas, existe um acompanhamento técnico de profissionais especializados. Tais profissionais utilizam softwares complexos, que custam milhares de dólares e desenvolvidos mediante estudos e ensaios feitos em todo o mundo. Porém, tais informações serão fornecidas somente a consultores reconhecidos no mercado ou a profissionais indicados pelos laminadores. “Devido à complexidade dos cálculos e interpretação dos resultados, é importante ter ao menos uma base técnica nessa área estrutural a fim de evitar análises equivocadas”, explica Domingos.

4. É possível produzir laminados de temperados usando-se apenas uma camada de PVB.

O PVB é aplicado ao vidro no formato de uma “manta”, que é fornecida em rolos. Essa manta pode ser fornecida ao laminador em várias espessuras. Entretanto, a mais utilizada possui 0,76mm de espessura. Geralmente os laminadores utilizam duas mantas quando vão produzir vidros laminados de temperados. Dessa forma, obtêm maior espessura — que preenche as deformidades que existem nos vidros temperados — e evitam o que chamam de “delaminação”. Domingos explica que a aplicação de duas “mantas” não prejudica nem o desempenho nem a transparência do produto. Entretanto, prejudica a produtividade do laminador. Ele destaca também existe a possibilidade de laminarem utilizando espessuras menores. Para isso, entretanto, são necessários cuidados básicos no processo de têmpera que podem evitar as deformações no vidro temperado. “Nossas orientações aos transformadores, inclusive, têm estimulado que muitos cuidem melhor de seus processos ou que invistam em equipamentos que forneçam melhor planicidade”, argumenta.

5. Os PVBs possibilitam variedade de cores e reposições sem problemas.

Os flmes coloridos da marca Vanceva (da Eastman) podem ser combinados para produzir mais de 17 mil opções de cores transparentes, translúcidas ou opacas, ajudando a criar o tom e a intensidade desejados. Quando tais filmes de PVB são combinados com vidro colorido ou refletivo, as possibilidades de design são ampliadas.
Todos os filmes coloridos da marca Vanceva são produzidos com pigmentos, e não corantes, estáveis à luz e ao calor, e passaram por testes rigorosos de durabilidade para garantir a resistência ao desbotamento e estabilidade da cor a longo prazo. Na prática, explica Domingos, todos os tipos de laminados desbotam. Porém, um vidro colorido com PVB pode ser substituído após décadas em uma fachada por um novo sem que, visualmente, perceba-se a diferença entre as tonalidades.

6.  Existe, sim, o laminado acústico.

O vidro laminado convencional possui bom desempenho acústico. E existem boatos no mercado de que o laminado anunciado como “acústico”, na verdade se trata de um vidro laminado composto com duas ou mais camadas de PVB entre as chapas. Domingos explica que existe, sim, o laminado acústico. Curiosamente ele possui espessura até mesmo inferior ao do interlayer tradicional.

O Saflex Acústico é um interlayer de três camadas com espessura de 0,51mm que fornece um amortecimento de som aprimorado entre 1.000–4.000 Hertz em comparação com o interlayer convencional de PVB. O desempenho aprimorado pode permitir que a construção de vidro seja projetada usando menos espaço de ar (no caso de vidros insulados) ou vidro mais fino para obter a mesma classifcação de redução de som. Uma curiosidade adicional é que o PVB acústico ou normal só perde eficiência acústica em temperaturas abaixo de zero grau, pois o material se torna rígido como o vidro e tem sua capacidade de amortecer as ondas sonoras reduzida.

7.  O laminado não precisa ser encaixilhado nos quatro lados e é resistente à umidade. 

Era fato conhecido no setor vidreiro que o vidro laminado precisava ser instalado sempre encaixilhado nos quatro lados, pois o material era extremamente sensível à umidade. Ele delaminava caso entrasse em contato com a água ou vapor. Essa situação foi alterada em 1998, com o desenvolvimento de uma nova formulação para o PVB. Esta permitiu que o PVB pudesse ficar exposto ao tempo. Tanto é que alguns veículos modernos possuem a beirada do para-brisas exposto. A exceção é para aplicações em que o vidro fique todo o tempo, ou a maior parte do tempo, em contato direto com a água, como beirais de piscinas. O contato esporádico, mesmo diretamente com a água, não prejudica o desempenho do vidro laminado.

O vidro laminado pode, por exemplo, ser instalado em muros de vidro, suportados em dois ou três lados com uma ou duas bordas expostas à ação do tempo sem risco de delaminar. Atualmente, a única limitação que impede o vidro laminado de ser aplicado sem molduras é pela questão estrutural. Mas essa limitação não se aplica no caso dos laminados de temperados, pois esse vidro pode ser instalado através de parafusos ou ferragens. Ou no caso de laminados com interlayer estrutural, tipo Sentryglas ou DG, que são rígidos e permitem até mesmo que guarda-corpos sejam suportados apenas em sua base.

8.  Vidro laminado não suporta temperaturas muito elevadas.

O PVB não suporta temperaturas muito elevadas, acima de 160ºC. Sob essa temperatura o PVB se deforma. Por isso não é recomendada a utilização de vidros laminados em luminárias que não sejam de LED ou em laterais de churrasqueiras. O vidro laminado pode ser utilizado em tampos de mesa, desde que haja orientação para que o usuário não coloque sobre o vidro panelas recém-retiradas do fogo sem a proteção adequada.

9.  Laminados contra calor e radiação solar.

É fato conhecido que o PVB fltra mais de 99% da radiação UV emitida pelo Sol e que é a principal causa de desbotamento de pisos de madeira, móveis e tecidos em geral. O que poucos sabem é que existe um PVB especial que barra os raios infravermelhos que geram o calor. O Saflex Solar é um interlayer PVB de absorção solar, melhora o controle solar ao reduzir o ganho de calor solar em comparação com o vidro laminado transparente e convencional, sem revestimentos. O produto pode ser aplicado em vidros comuns ou ser associado a vidros de proteção solar. A vantagem é permitir maior luminosidade nos ambientes ou evitar o efeito refletivo, que não é apreciado por alguns usuários.

10.  Outros tipos de laminados possuem desempenho equivalente ou superior ao PVB.

Laminados com EVA ou com resina monocomponente ou bicomponente possuem desempenho semelhante ao laminado com PVB em vários aspectos. Em alguns específicos tais laminações que fogem do padrão convencional podem até oferecer vantagens. A versatilidade na produção e na criação de peças exclusivas são algumas delas. Porém, é preciso analisar cada produto, checando com o mercado as informações passadas pelo vendedor. T&V

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